Correia detona bolsonaristas que têm ligações com o Banco Master: "BolsoMaster"
Deputado petista expôs na rede social X nomes ligados a Bolsonaro que teriam investimentos no banco investigado, citando ACM Neto e o Pastor Zettel
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) foi às redes sociais nesta quarta-feira para atacar políticos e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que teriam recursos depositados no Banco Master, instituição financeira atualmente no centro de uma crise que motivou pedidos de instalação de CPI na Câmara dos Deputados.
Em publicação na rede social X, o parlamentar mineiro usou o termo "BolsoMaster" para ironizar o que classificou como contradição entre o discurso anticorrupção do campo bolsonarista e a presença de nomes do grupo entre os correntistas ou investidores da instituição financeira investigada.
O Banco Master é alvo da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras. Atualmente, o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição bancária, está preso na Penitenciária Federal de Brasília (DF).
Acusações
O parlamentar Rogério Correia mirou diretamente em ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e liderança histórica do União Brasil na Bahia, questionando sua relação com o banco. "Este é o baiano que os bolsonaristas denunciavam como corrupto do banco Master? ACM Neto, bolsonarista de primeira hora e antipetista raiz. Mais um do BolsoMaster!", escreveu o deputado.
Uma empresa ligada ao político do União recebeu cerca de R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora de recursos Reag. As informações constam em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central.
O ex-prefeito de Salvador e vice-presidente do União Brasil afirmou que está disposto a prestar esclarecimentos sobre os contratos.
O deputado Rogério Correia também voltou as baterias para Minas Gerais, seu estado, onde afirmou haver vários casos semelhantes. O principal nome citado foi o do Pastor Zettel, a quem Correia acusa de envolvimento direto com Bolsonaro e Nikolas Ferreira.
"Em Minas tem vários, mas o principal é o Pastor Zettel, que colocou 5 milhões na conta do Jair e deu um jatinho pro Nikolas fazer campanha", afirmou o deputado na mesma publicação.
O contexto do Master
O Banco Master está sob escrutínio após uma operação de fusão com o BRB — Banco de Brasília — que acendeu alertas no mercado financeiro e gerou debate sobre os riscos assumidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O caso motivou um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal que pede a criação de uma CPI na Câmara dos Deputados para investigar a instituição, cujo controle pertence ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A postagem de Correia reflete a disputa política em torno do escândalo, com o campo petista buscando associar o caso ao bolsonarismo, enquanto a oposição tenta direcionar as investigações para o campo governista.
A Polícia Federal estima que as irregularidades atribuídas a Daniel Vorcaro possam ter causado um prejuízo de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, o FGC — mecanismo criado exatamente para blindar investidores diante de quebras ou crises bancárias.
A trajetória judicial do banqueiro já acumula capítulos anteriores. No ano passado, Vorcaro chegou a ser preso, mas conseguiu responder ao processo em liberdade mediante uso de tornozeleira eletrônica. Agora, uma segunda ordem de prisão foi decretada, desta vez ancorada em mensagens extraídas do celular do empresário — aparelho que havia sido confiscado durante a primeira fase da Operação Compliance Zero. O conteúdo das conversas levou os investigadores a concluir que o banqueiro teria feito ameaças a jornalistas e a pessoas que contrariaram seus interesses.
Entre os episódios concretos mapeados pela PF, constam supostas intimidações dirigidas ao jornalista Lauro Jardim e a uma trabalhadora doméstica. As investigações apontam ainda que Vorcaro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. A PF também identificou acessos não autorizados a sistemas de diversas instituições, incluindo plataformas internas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal, do FBI e da Interpol.
A versão do banqueiro
Por meio de sua assessoria, Vorcaro rebateu as acusações e contestou a forma como as mensagens foram interpretadas. O empresário alegou que o conteúdo foi analisado fora do contexto original. "Jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto", afirmou, acrescentando: "Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas."
Sobre os trechos mais graves das conversas investigadas, o banqueiro admitiu ter se exaltado em determinadas ocasiões, mas descartou qualquer propósito de causar dano. "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência", declarou em nota.


