'Em eleições não se escolhe adversários, mas sim aliados', diz Lula
Presidente reafirma apoio a Eduardo Paes para o governo do Rio para evitar “que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço”
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as disputas eleitorais devem ser construídas com base em alianças políticas e não com foco nos adversários. A declaração foi dada ao comentar o cenário eleitoral do estado do Rio de Janeiro em entrevista ao jornal O Dia.
Na conversa, Lula reafirmou apoio político ao prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), e destacou a importância de formar uma frente capaz de disputar não apenas o governo estadual, mas também cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). “Sobre as eleições, temos que lembrar que não se escolhe adversários, mas sim aliados. Paes tem o meu apoio político e o importante agora é construir uma chapa forte, capaz de vencer não apenas a disputa pelo governo, mas também de conquistar cadeiras no Senado, na Câmara e na Alerj e não deixar que o autoritarismo e o retrocesso voltem a ganhar espaço no Rio de Janeiro e em nosso país”, declarou.
Lula também elogiou a gestão de Eduardo Paes à frente da Prefeitura do Rio e ressaltou que a parceria entre os governos municipal e federal tem resultado em projetos considerados importantes para a cidade. “O Eduardo Paes é um excelente prefeito e trabalhamos muito bem juntos. E dessa parceria com o governo federal vieram muitas ações importantes, verdadeiras conquistas para os cariocas, como a renovação da frota de BRT e a grande melhoria na rede hospitalar da cidade”, afirmou.
Investimentos e obras na Zona Oeste
A entrevista foi concedida horas antes de Lula desembarcar no Rio de Janeiro para cumprir uma agenda oficial ao lado do prefeito, que incluiu inaugurações e anúncios de investimentos. Entre os compromissos previstos estão a entrega de moradias na Comunidade do Aço, em Santa Cruz, na Zona Oeste, e a inauguração de obras de mobilidade urbana em Campo Grande.
Segundo o presidente, os investimentos fazem parte do plano de mobilidade da região. “Estamos inaugurando hoje o trecho 1 do Anel Viário e o Túnel Luiz Bom, com investimentos de R$ 838,5 milhões. E já iniciamos as obras do trecho 2 do Anel, que terá 6,1 quilômetros de extensão e permitirá aos mais de 350 mil moradores de Campo Grande chegarem muito mais rápido à Avenida Brasil”, explicou.
O projeto integra um conjunto de intervenções que prevê 38 quilômetros de obras viárias, além de ciclovias e sistemas de drenagem.
Habitação e programas sociais
Lula também destacou ações do governo federal voltadas à redução do déficit habitacional na capital e no estado. De acordo com ele, o programa Minha Casa Minha Vida já contratou quase 35 mil moradias no município do Rio desde 2023.
“No estado inteiro, são mais de 88 mil moradias, com investimentos de R$ 13,5 bilhões para que as famílias conquistem o sonho da casa própria”, afirmou.
Na Comunidade do Aço, o presidente participou da entrega de novas unidades habitacionais para 64 famílias em situação de vulnerabilidade social. O empreendimento foi financiado pelo Banco do Brasil com recursos federais.
Outro projeto citado foi o PAC Periferia Viva, que prevê investimentos superiores a R$ 170 milhões na comunidade da Maré para construção de casas, implantação de redes de abastecimento e esgoto e obras de urbanização. Iniciativas semelhantes também estão em andamento em São Gonçalo e tiveram propostas selecionadas para o Complexo do Alemão e para o Caniçal, em Niterói.
Combate a enchentes e desastres
Durante a entrevista, Lula também abordou as medidas adotadas pelo governo federal para enfrentar enchentes e deslizamentos, fenômenos recorrentes em diferentes regiões do país. Entre as ações mencionadas está um projeto de drenagem no bairro Jardim Maravilha, em Guaratiba, que recebe investimentos de R$ 340 milhões dentro do Novo PAC.
“No PAC Seleções, já selecionamos ou retomamos quase 60 projetos de obras de drenagem e contenção de encostas para o estado do Rio, com recursos de R$ 3,9 bilhões”, disse.
O presidente acrescentou que o governo ampliou a estrutura da Defesa Civil e implementou sistemas de alerta enviados diretamente para celulares da população em áreas de risco.
Violência contra mulheres
Outro tema abordado na entrevista foi a violência contra mulheres, citada por Lula ao comentar o caso de estupro coletivo contra uma adolescente ocorrido em Copacabana. Para o presidente, o país precisa enfrentar a cultura que naturaliza esse tipo de crime.
“É inaceitável que homens continuem achando que são donos das mulheres, que podem agredi-las ou fazer o que bem entendem com elas. Todos – especialmente nós, homens – temos que fazer nossa parte para que essa cultura desapareça de nosso país e se torne coisa do passado”, afirmou.
Entre as iniciativas do governo federal, Lula citou o Pacto Brasil para Enfrentamento do Feminicídio, que reúne diferentes poderes para acelerar medidas protetivas e responsabilizar agressores, além da ampliação de estruturas de atendimento.
“Também estamos abrindo novas Casas da Mulher Brasileira e novos Centros de Referência, além de reforçar as delegacias especializadas para que elas funcionem por 24 horas, com agentes qualificados”, disse.


