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Paulistas culpam Tarcísio por quantidade de pedágios em São Paulo

Pesquisa Datafolha mostra que governo estadual e concessionárias dividem responsabilidade pelo número de cobranças nas rodovias paulistas

Tarcísio de Freitas (Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP)

247 - O governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas (Republicanos), é apontado como o principal responsável pela quantidade de pedágios nas rodovias do estado, segundo pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira (16). O levantamento indica que 33% dos entrevistados atribuem a responsabilidade à gestão estadual, enquanto 30% responsabilizam as concessionárias, configurando empate técnico dentro da margem de erro, conforme publicado pela Folha de São Paulo.

Realizada entre os dias 3 e 5 de março, a pesquisa ouviu 1.608 pessoas em 71 municípios paulistas e possui nível de confiança de 95%. Além do governo estadual e das concessionárias, o governo federal foi citado por 26% dos entrevistados, enquanto apenas 2% atribuíram a responsabilidade às prefeituras.

A percepção sobre a responsabilidade do governo estadual varia de acordo com perfil socioeconômico e posicionamento político. Entre os entrevistados com ensino superior, 44% apontam a gestão de Tarcísio como principal responsável. O índice sobe entre os mais ricos: 49% entre aqueles com renda de 5 a 10 salários mínimos e 48% entre os que recebem acima desse patamar.

A divisão também aparece no recorte por gênero. Entre os homens, 40% responsabilizam o governo estadual, enquanto entre as mulheres a maior parcela (34%) aponta as concessionárias de rodovias.

A avaliação do governo influencia diretamente as respostas. Entre os que consideram a gestão estadual ruim ou péssima, 52% culpam o governo pelo número de pedágios. O percentual também é elevado entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2022 (42%) e entre os que pretendem votar em Fernando Haddad (PT) para o governo paulista (44%).

Já as concessionárias são mais responsabilizadas por eleitores que pretendem votar em Paulo Serra (PSDB), com 36%, e também entre apoiadores de Tarcísio, com 31%.

Procurado, o governo estadual afirmou que os contratos de concessão seguem diretrizes de “justiça tarifária” e que houve redução de cerca de 20% no valor por quilômetro em comparação com modelos anteriores. Em nota, a gestão declarou que “houve ampliação de investimentos em melhorias, segurança viária e serviços de atendimento aos usuários”.

Entre as iniciativas destacadas está a implementação do sistema de pedágio eletrônico “free flow”, que elimina praças físicas e permite a cobrança proporcional ao trecho percorrido. Nesse modelo, os veículos são identificados por meio da placa, e o pagamento pode ser feito posteriormente, inclusive por meio do site da concessionária.

Regulamentado desde outubro de 2024, o sistema começou a operar em setembro do mesmo ano na rodovia SP-333, em Itápolis, e foi expandido para outros trechos, como em Jaboticabal. Atualmente, o modelo está presente em seis rodovias do estado, incluindo a Padre Manuel da Nóbrega (SP-055), Raposo Tavares (SP-270) e Pedro Eroles (SP-088).

A previsão do governo é instalar 58 pórticos eletrônicos até 2030. Apesar da proposta de modernização, a medida tem gerado resistência em diferentes regiões, especialmente na Baixada Santista, onde protestos e ações judiciais contestam a implantação do sistema, como no caso da rodovia Mogi-Dutra.

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