PL pode retirar candidatura de Cláudio Castro, diz Valdemar
Ex-governador foi condenado pelo TSE e se tornou inelegível. Defesa apresenta recurso e PL aguarda definição
247 - O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido não pretende assumir riscos jurídicos na disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro e condicionou a permanência do ex-governador Cláudio Castro como candidato à reversão da condenação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível até 2030, informa o jornal O Globo.
A decisão do TSE, tomada por cinco votos a dois, considerou que Castro cometeu abuso de poder político e econômico durante a campanha eleitoral de 2022. De acordo com os ministros que votaram pela condenação, houve uso da estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para contratação de cabos eleitorais, com distribuição de cargos e recursos públicos para ampliar apoio político.
Diante desse cenário, Valdemar deixou claro que a candidatura dependerá do resultado dos recursos apresentados pela defesa do ex-governador. “O partido não vai correr risco. Cláudio só sai se ganhar o recurso”, declarou.
Apesar de manter Castro como prioridade, o PL já trabalha com alternativas para a disputa. Entre os nomes avaliados estão o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), o senador Carlos Portinho (PL-RJ) e o ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi, que pode se filiar à sigla. Nos bastidores, a avaliação é que parlamentares com mandato tendem a resistir a mudanças de última hora, o que fortalece o nome de Curi, especialmente entre aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Após a decisão do TSE, Cláudio Castro afirmou ter “plena convicção” de que governou dentro da legalidade e anunciou que recorrerá. Em manifestação pública, declarou que vai “lutar até a última instância” para reverter a condenação e classificou o resultado como contrário à vontade dos eleitores.
Mesmo com a inelegibilidade, a legislação eleitoral permite que candidatos disputem eleições sob condição “sub judice”, ou seja, com pendências judiciais ainda em análise. Nesse caso, Castro poderá concorrer normalmente se conseguir suspender os efeitos da decisão antes da diplomação, prevista geralmente para dezembro.
Entre as estratégias jurídicas possíveis estão a apresentação de embargos de declaração ao próprio TSE e a tentativa de levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob argumento de violação constitucional. A defesa também pode solicitar uma liminar para suspender a condenação, o que permitiria o registro da candidatura sem restrições imediatas.
Internamente, integrantes do PL no Rio ainda demonstram apoio ao ex-governador. O presidente estadual da legenda e vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes, reforçou a posição oficial: “Castro é o nosso candidato e não abrimos mão disso. Ele é líder nas pesquisas e temos convicção de que vamos reverter”.
Nos bastidores, no entanto, cresce a avaliação de que o partido poderá mudar de estratégia caso o cenário jurídico se mostre irreversível, evitando comprometer a competitividade eleitoral no estado.


