Quaquá barrou tentativa de negociata do Banco Master em Maricá
Prefeito impediu aplicação bilionária do Fundo Soberano no Banco Master após alertas do mercado financeiro
247 – O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), atuou diretamente para impedir que recursos bilionários do Fundo Soberano do município fossem destinados ao Banco Master, instituição financeira hoje no centro de investigações conduzidas pela Polícia Federal. As informações foram reveladas pela coluna de Tácio Lorran, no Metrópoles, a partir de mensagens interceptadas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo a investigação, Vorcaro buscou abrir negócios em Maricá em 2024 por meio do lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, operador financeiro que já foi alvo da Lava Jato e condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em um caso relacionado ao Trump Hotel. A tentativa, no entanto, fracassou justamente porque a administração de Quaquá decidiu bloquear qualquer operação envolvendo recursos públicos do município.
As mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Daniel Vorcaro pressionando por avanços na negociação. Em conversa de 30 de julho de 2024, o dono do Banco Master perguntou ao lobista: “Aquele de Maricá travou?”. A PF descreve a movimentação como uma tentativa de “captação” de investimentos.
Ricardo Siqueira Rodrigues respondeu ao banqueiro afirmando que seguia trabalhando para destravar a operação. “Deu um estresse, mas estou em campo contornando. As matérias assustaram, mas tem conserto. Essa semana mando notícias. Abs”, escreveu o operador.
Quaquá evitou prejuízo bilionário
A operação nunca prosperou em Maricá. Em janeiro deste ano, Washington Quaquá revelou publicamente que interferiu para impedir que o Fundo Soberano da cidade fosse direcionado ao Banco Master, evitando o que poderia ter se transformado em um prejuízo bilionário para o município.
“Então, lá no passado, o malandro que veio de Brasília pra cá, Renato, tu sabes quem eu tô falando, tava negociando botar o Fundo Soberano de Maricá no Banco Master. Master! Nós entramos e falamos ‘não bota que esta merda, todos os nossos amigos do mercado financeiro tão dizendo que esta merda vai quebrar, não façam isso, não façam isso!’. Os nossos 2 bilhões iam pro Master, se a gente não intervém”, declarou Quaquá.
A fala do prefeito ganhou ainda mais repercussão após as recentes operações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master e agentes ligados à instituição, como o próprio ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. O episódio reforçou nos bastidores políticos do Rio de Janeiro a avaliação de que a decisão da prefeitura de Maricá evitou uma exposição financeira considerada extremamente arriscada.
PF investiga credenciamentos e operações financeiras
Enquanto Maricá bloqueou a operação, outro município fluminense acabou realizando aportes milionários no Banco Master. O Instituto de Previdência de Itaguaí (Itaprevi) investiu R$ 58 milhões na instituição financeira durante a gestão da advogada Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle do Rioprevidência.
Fernanda foi alvo da Polícia Federal em operação realizada nesta semana. Segundo os investigadores, ela teria assinado um “credenciamento fraudulento” do Banco Master para “viabilizar operações irregulares mediante credenciamento meramente burocrático, sem as análises técnicas obrigatórias”.
A investigação também atingiu Ricardo Siqueira Rodrigues, apontado como operador responsável por articular aproximações políticas e financeiras para o banco no Rio de Janeiro. A PF realizou buscas contra o lobista na terça-feira (28/5).
Nos bastidores políticos, o caso passou a ser interpretado como uma demonstração da cautela adotada pela gestão de Quaquá em relação ao uso dos recursos estratégicos de Maricá. O município administra um dos maiores fundos soberanos do país, abastecido pelos royalties do petróleo, e tem buscado direcionar os investimentos para projetos estruturantes e políticas públicas de longo prazo.



