Rogério Correia denuncia Zema por fraude, trabalho escravo e exploração de aposentados
Deputado aciona órgãos federais para investigar contratos na educação, jornadas exaustivas e crédito consignado a públicos vulneráveis
247 - O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou três representações contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), a Zema Financeira e o Grupo Zema, solicitando investigações sobre contratos milionários na educação, possíveis casos de trabalho análogo à escravidão e oferta de crédito consignado a públicos vulneráveis. As denúncias foram encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT), com cópias a órgãos de controle, visando apurar responsabilidades civis, administrativas e eventualmente criminais.
As representações também foram enviadas ao Banco Central, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), à Secretaria Nacional do Consumidor (SENACON) e a outros órgãos fiscalizadores, ampliando o alcance das apurações solicitadas pelo parlamentar.
Contratos na educação sob suspeita
A primeira denúncia trata de contratos de fornecimento de material didático que somam cerca de R$ 848,8 milhões. Esses acordos foram firmados durante a gestão estadual com a empresa Fazer Educação, anteriormente chamada Sudu Tecnologia Educacional.
Segundo a representação, a empresa já foi investigada em outro estado por suspeitas relacionadas a fraudes em licitações. O documento pede que sejam analisados aspectos como o elevado valor dos contratos, o uso de atas de registro de preços e a possível ausência de planejamento pedagógico adequado, além da relação com contratações semelhantes ocorridas no Pará.
Denúncia de trabalho análogo à escravidão
A segunda ação solicita ao Ministério Público do Trabalho a investigação de um caso envolvendo 22 motoristas que prestavam serviços vinculados ao Centro de Distribuição e Apoio do Grupo Zema, em Araxá.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa, os trabalhadores teriam sido submetidos a jornadas que chegavam a até 19 horas diárias. A situação, conforme apontado na denúncia, pode caracterizar condições de trabalho análogas à escravidão.
Crédito consignado para públicos vulneráveis
A terceira representação mira a Zema Financeira, empresa ligada ao grupo familiar do ex-governador. O pedido é para investigar a oferta de crédito consignado, operações de portabilidade e descontos diretos em benefícios previdenciários.
A denúncia destaca o risco de práticas abusivas contra aposentados, pensionistas e famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente diante da facilidade de contratação e do impacto direto nos benefícios pagos pelo INSS.
Ao comentar as representações, Rogério Correia afirmou: “Zema vende a imagem de eficiência, mas o que aparece ao abrir as contas é suspeita de fraude em contratos públicos, trabalho escravo e exploração de aposentados. É preciso investigar quem, ao que tudo indica, escolheu o lucro em detrimento das pessoas e do erário”.



