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'Se curva ao Centrão e aos interesses de Trump. Isso não é política', diz Lindbergh sobre Flávio Bolsonaro

'Um fraco não sustenta o Brasil, que precisa de liderança de verdade', afirmou o deputado do PT

Lindbergh Farias e Flávio Bolsonaro (Foto: Agência Câmara I Agência Senado)

247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de servir a interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de se submeter ao Centrão. Em publicação na rede social X, o petista também chamou o político da extrema direita brasileira de “fraco”.

“Um fraco não sustenta o Brasil. Se curva pro Centrão, abre caminho pra interesses de Trump e esquece do povo aqui dentro. O Brasil precisa de liderança de verdade, não de um fraco que entrega tudo e chama isso de política”, escreveu Lindbergh.

Articulação entre bolsonaristas e Centrão

O parlamentar fez a crítica após uma sequência de derrotas do governo Lula no Congresso. Na quarta-feira (29), o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal por 42 votos contrários e 34 favoráveis. No dia seguinte, o Congresso derrubou o PL da Dosimetria, proposta que recalcula penas para crimes de golpe e beneficia condenados por ações golpistas no Brasil.

Aliados do governo Lula atribuíram as votações recentes no Congresso a articulações entre bolsonaristas e o Centrão. Lindbergh usou esse contexto para reforçar a crítica a Flávio Bolsonaro e associar o senador a uma linha política que, segundo ele, combina concessões internas com alinhamento a interesses externos.

O petista também relacionou o debate político nacional à área econômica. Nos últimos meses, lideranças do campo progressista apontaram risco de abertura da economia brasileira aos Estados Unidos em caso de vitória de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.

Em 28 de março, durante a conferência conservadora CPAC (Conservative Political Action Conference), nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil é “a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.

Terras raras colocam o Brasil no centro da disputa global

O debate sobre minerais estratégicos ganhou peso diante da posição brasileira no cenário internacional. De acordo com números divulgados pelo Valor Econômico em 25 de julho do ano passado, o Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, volume que equivale a aproximadamente 23% das reservas globais.

O país também lidera as reservas mundiais de nióbio, com 94% do total, ou 16 milhões de toneladas. Além disso, concentra 26% das reservas de grafita, com 74 milhões de toneladas, e 12% das reservas de níquel, também com 16 milhões de toneladas.

Dados do Serviço Geológico do Brasil e do Serviço Geológico dos Estados Unidos indicam que esses recursos dão ao Brasil relevância na disputa por insumos ligados à transição energética, à indústria de alta tecnologia e a setores estratégicos de defesa.

Os Elementos Terras Raras formam um grupo de 17 substâncias químicas da tabela periódica, composto pelos lantanídeos, além de escândio e ítrio. Apesar do nome, esses elementos não aparecem necessariamente em baixa quantidade na crosta terrestre. A dificuldade está na dispersão dos depósitos, fator que encarece e torna mais complexa a extração.

Esses materiais têm aplicação em baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Minerais estratégicos recebem essa classificação por sua importância econômica e por sua presença em áreas prioritárias, como indústria, inovação tecnológica e segurança nacional. Minerais críticos, por sua vez, envolvem riscos de abastecimento, dependência externa, concentração geográfica da produção, instabilidade política em países fornecedores ou barreiras tecnológicas.

Datafolha mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro

A disputa eleitoral também entrou no centro do debate. Pesquisa Datafolha, divulgada em abril, mostrou o presidente Lula com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro apareceu na segunda posição, com 35%.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, registrou 5%. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, marcou 4%. Renan Santos, do Missão, somou 2%. Aldo Rebelo, do DC, e Cabo Daciolo, do Mobiliza, tiveram 1% cada.

O levantamento também apontou 10% de eleitores que declararam voto em branco ou nulo, enquanto 4% disseram não saber em quem votar. O instituto ouviu 2.004 eleitores em 137 cidades entre os dias 7 e 9 de abril. A pesquisa tem registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03770/2026.

A declaração de Lindbergh amplia a ofensiva política contra Flávio Bolsonaro em meio às disputas no Congresso, ao debate sobre soberania econômica e ao peso eleitoral de uma possível candidatura da extrema direita na sucessão presidencial.

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