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Flávio Bolsonaro pressiona Ratinho Jr. e cogita aliança com Moro no Paraná

Movimento pode redesenhar a disputa pelo governo paranaense e tenta impedir que Ratinho Jr. entre na corrida presidencial

Sergio Moro e Flávio Bolsonaro (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

247 - O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem sinalizado que pode apoiar o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) na disputa pelo governo do Paraná em 2026, caso o governador Ratinho Jr. (PSD) decida lançar candidatura à Presidência da República. A articulação, que envolve inclusive a possibilidade de filiação de Moro ao PL, ameaça abalar o acordo político firmado entre o partido bolsonarista e o grupo do governador paranaense, segundo a Folha de São Paulo.

A movimentação ocorre no momento em que Ratinho Jr. ainda não definiu se buscará uma candidatura nacional ou se concorrerá ao Senado. Aliados afirmam que ele tem alternado avaliações em conversas reservadas: em alguns momentos, considera que não haverá espaço eleitoral diante da polarização entre um Bolsonaro e o presidente Lula (PT); em outros, demonstra confiança na possibilidade de chegar ao segundo turno e vencer, argumentando ter menor rejeição do que os adversários.

A tensão política deve ser tema de uma conversa marcada para depois do Carnaval. Ratinho Jr. iniciou férias na terça-feira (10) e deve retornar ao Brasil apenas em 25 de fevereiro. Já Flávio Bolsonaro estava em viagem internacional para se reunir com lideranças da direita em outros países.

Acordo do PL com Ratinho Jr. pode ruir

Antes da atual movimentação, o PL havia firmado um entendimento com Ratinho Jr.: o partido apoiaria o nome escolhido pelo governador para sucedê-lo no comando do Paraná, em troca de espaço para que o deputado federal Filipe Barros disputasse uma vaga no Senado.

No PSD, o secretário de Cidades, Guto Silva, aparece como o nome mais cotado para ser o candidato do grupo. Também são apontados como possíveis concorrentes o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca.

A possível entrada de Moro no tabuleiro, no entanto, ameaça implodir esse arranjo e abrir uma disputa direta entre o bolsonarismo e o grupo do governador.

Estratégia de Flávio mira palanques e disputa nacional

Flávio Bolsonaro tem atuado para construir palanques próprios em todos os estados e tenta evitar alianças com nomes que possam se tornar concorrentes diretos em nível nacional.

Nesse contexto, a hipótese de apoiar Sergio Moro para o governo do Paraná seria uma forma de enfraquecer Ratinho Jr. e desestimular sua eventual candidatura presidencial. O governador, por sua vez, tenta preservar seu capital político estadual e manter seu grupo no controle do Executivo paranaense.

Com aprovação superior a 80%, Ratinho Jr. trabalha para eleger um sucessor. Contudo, Moro tem aparecido liderando pesquisas de intenção de voto no estado.

Peso do bolsonarismo pode ser decisivo no Paraná

O Paraná é considerado um estado com eleitorado majoritariamente inclinado à direita, e o apoio da família Bolsonaro tem relevância eleitoral. Na eleição municipal de Curitiba em 2024, a jornalista Cristina Graeml chegou ao segundo turno pelo PMB, partido pequeno, e ameaçou o candidato apoiado por Ratinho Jr. após sinalizações de endosso de Jair Bolsonaro (PL).

Nesse cenário, aliados do governador avaliam que um eventual apoio de Bolsonaro a Moro poderia ser determinante para o resultado da eleição estadual. Além disso, a eventual filiação do ex-juiz parcial ao PL teria impacto direto, já que a legenda é a que dispõe do maior tempo de propaganda em rádio e televisão, além de concentrar a maior fatia do fundo eleitoral.

Moro enfrenta obstáculos no União Brasil e depende do PP

Atualmente no União Brasil, Sergio Moro enfrenta dificuldades internas para consolidar sua candidatura ao governo estadual. Ele conseguiu assumir o comando local do partido após meses de pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas enfrenta perda de aliados: os deputados federais Felipe Francischini e Nelson Padovani estariam de saída da legenda para permanecer no grupo de Ratinho Jr.

Além disso, Moro depende do PP, partido que comandará a federação com o União Brasil no Paraná e que já demonstrou resistência pública ao seu nome. O presidente estadual do PP, deputado Ricardo Barros (PR), afirmou de forma direta: "Hoje, o que está definido é que o Moro não será nosso candidato", disse.

Barros também afirmou que a federação está livre para negociar com Ratinho Jr. e que o PP pode lançar um nome próprio, citando alternativas como a ex-governadora Cida Borghetti, o ex-prefeito de Londrina Marcelo Belinati ou até mesmo Rafael Greca, caso ele não encontre espaço no grupo do governador e opte por mudar de partido.

Sobre as opções, Barros declarou: "Temos alternativas que dialogam melhor com a política", afirmou.

Moro nega saída e diz que seguirá no União Brasil

Procurado, Sergio Moro não comentou diretamente as conversas com o PL, mas afirmou por meio de nota que pretende disputar o governo do Paraná pelo União Brasil e que as divergências com o PP poderão ser resolvidas internamente.

"O senador Sergio Moro permanece no União Brasil, partido que garantiu sua candidatura ao governo do Paraná nas eleições de 2026. As divergências com PP serão resolvidas com diálogo", respondeu a assessoria.

Apesar disso, políticos do PP afirmam que uma eventual mudança para o PL pode não ocorrer, já que o ambiente dentro da federação teria se tornado mais favorável ao ex-juiz parcial. Um aliado do senador Ciro Nogueira (PI), presidente do partido, disse que ele estaria mais inclinado a defender a candidatura de Moro por considerar que isso poderia ampliar o número de deputados federais e senadores do grupo.

Prazo eleitoral pressiona decisão de Moro

A definição sobre qual partido Sergio Moro representará na eleição tem prazo. Ele tem até 4 de abril para decidir sua filiação, data-limite exigida pela legislação eleitoral para quem pretende disputar o pleito de 2026.

Até lá, as negociações entre PL, União Brasil, PP e o grupo de Ratinho Jr. prometem intensificar a disputa política no Paraná e podem redesenhar o cenário nacional, caso o governador decida mesmo entrar na corrida presidencial.

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