França confirma primeiro caso de Ebola no país
Paciente é médico que voltou da República Democrática do Congo
247 - A França confirmou nesta quarta-feira (24) o primeiro caso de Ebola registrado no país, em um médico que retornou recentemente da República Democrática do Congo, epicentro do surto que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar emergência de saúde pública de importância internacional, seu nível máximo de alerta.
O Ministério da Saúde francês informou em comunicado que “confirma hoje a identificação de um primeiro caso positivo de doença por vírus Ebola no território nacional”. Em resposta à AFP, a pasta esclareceu que o diagnóstico ocorreu na França continental.
O caso é considerado inédito também porque marca a primeira confirmação de Ebola feita dentro do território francês. Em 2014, durante a grave epidemia que atingiu a África Ocidental, dois pacientes foram recebidos para tratamento na França, mas ambos já haviam sido diagnosticados fora do país.
A ocorrência também representa o primeiro caso identificado fora do continente africano no atual surto, que afeta principalmente a República Democrática do Congo e Uganda. Apesar disso, especialistas avaliam que o risco de propagação global continua baixo, sobretudo pela forma de transmissão do vírus.
Diferentemente de vírus respiratórios, como o Influenza, causador da gripe, ou o SARS-CoV-2, responsável pela Covid-19, o Ebola se espalha por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas ou que morreram em decorrência da doença. Esse padrão de transmissão reduz a capacidade de disseminação em larga escala.
O Ministério da Saúde francês citou a avaliação do Centro Europeu para a Prevenção e o Controle de Doenças (ECDC) para reforçar que o risco permanece limitado. “O Centro Europeu para a Prevenção e o Controle de Doenças (ECDC) considera que o risco de infecção é baixo para residentes europeus e viajantes que vão a áreas de transmissão ativa, e muito baixo para a população europeia em geral”, informou a pasta.
Surto levou OMS ao alerta máximo
Em meados de maio, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, classificou o surto de Ebola na RDC e em Uganda como emergência de saúde pública de importância internacional. É a terceira vez que a organização aciona esse nível de alerta para o Ebola desde a identificação do vírus, em 1976.
O atual episódio é o 17º surto de Ebola já registrado. Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças alertaram recentemente que, caso não seja contido, ele pode se transformar no pior surto da história.
Segundo o informe mais recente da República Democrática do Congo, de 22 de junho, o país contabiliza 1.094 casos confirmados e 277 mortes, o que representa uma taxa de letalidade de 25,3%. Apenas nas 24 horas anteriores ao boletim, foram confirmadas 46 novas infecções.
Em Uganda, de acordo com dados da OMS até o dia 18, havia 19 casos confirmados e 2 mortes, com taxa de letalidade de 15%.
Risco global segue baixo, mas resposta enfrenta dificuldades
A OMS classifica o risco na República Democrática do Congo e em Uganda como “muito alto”. Para países que fazem fronteira terrestre com os dois, o risco é considerado “alto”. Ainda assim, a organização mantém a avaliação de que os riscos regional e global seguem “baixos”.
O avanço do surto, porém, continua sendo motivo de preocupação para as autoridades sanitárias. No relatório mais recente de monitoramento, a OMS apontou obstáculos que dificultam a contenção da doença em áreas afetadas.
“A crescente distribuição geográfica das zonas de saúde afetadas, a transmissão persistente em contextos urbanos e ligados à mineração, as taxas subótimas de acompanhamento de contatos em algumas províncias e a insegurança contínua nas áreas afetadas continuam a complicar as operações de resposta e a aumentar o risco de maior disseminação dentro da República Democrática do Congo e para os países vizinhos”, afirmou a organização.
Cepa atual não tem vacina aprovada
Um dos principais desafios do surto atual é a espécie do vírus Ebola envolvida na transmissão. Trata-se da Bundibugyo, uma cepa para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados.
Essa espécie já havia provocado apenas outros dois surtos, registrados em 2007 e 2012. A ausência de imunizantes e terapias específicas aumenta a complexidade da resposta sanitária, especialmente em regiões onde há transmissão urbana, atividade mineradora e dificuldades de acompanhamento de contatos.



