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Semavy amplia disputa por semaglutida nacional no Brasil

Caneta da Hypera Pharma aguarda registro da Anvisa e pode reforçar concorrência no mercado de diabetes e emagrecimento

Semavy amplia disputa por semaglutida nacional no Brasil (Foto: Freepik )
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247 - A caneta injetável Semavy, novo medicamento com semaglutida sintética produzido pela Hypera Pharma no Brasil, aguarda registro sanitário da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e pode ampliar a concorrência no mercado de tratamentos para diabetes tipo 2 e, futuramente, para perda de peso, informa a Folha de São Paulo.

O nome do produto foi oficializado nesta quarta-feira (24) em protocolo publicado na página da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). A etapa antecede o registro sanitário, que ainda precisa ser concedido pela Anvisa. O pedido de protocolo foi feito pela Hypera Pharma e aceito pela agência reguladora.

Com sede em São Paulo, a Hypera Pharma é uma das maiores companhias farmacêuticas do país e reúne um portfólio amplo, com forte presença nos segmentos de medicamentos isentos de prescrição, suplementos e vitaminas. A chegada da Semavy marca mais um movimento da indústria nacional em um setor que se expandiu rapidamente nos últimos anos.

A caneta será voltada inicialmente ao tratamento do diabetes tipo 2. A empresa ainda deve solicitar autorização para uso do medicamento em terapias de perda de peso, área que impulsionou a demanda por fármacos à base de semaglutida e outros agonistas de GLP-1.

O Semavy será o segundo medicamento nacional com semaglutida sintética a avançar no país. O primeiro foi o Ozivy, da EMS, aprovado pela Anvisa em 26 de maio, pouco mais de dois meses após a perda da patente da semaglutida, em 20 de março.

A EMS iniciou a distribuição do Ozivy no dia 15, com chegada inicial às principais redes farmacêuticas das capitais brasileiras. A previsão é que o produto alcance cobertura nacional até julho.

Assim como o Ozivy, o Semavy não será classificado como genérico, similar ou biossimilar. Pela definição da agência reguladora, trata-se de um medicamento novo. Ainda assim, a entrada de novas empresas no segmento é vista pelo mercado como um fator capaz de pressionar os preços das canetas injetáveis.

No Brasil, a semaglutida movimenta ao menos R$ 5 bilhões por ano, sem considerar produtos vendidos por farmácias de manipulação nem itens contrabandeados do Paraguai. A forte demanda criou um ambiente de disputa entre grandes laboratórios, fabricantes nacionais e canais irregulares de comercialização.

As chamadas canetas emagrecedoras pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo e relacionado ao controle da glicose no sangue e aos mecanismos de saciedade. Entre as marcas mais conhecidas estão o Ozempic, à base de semaglutida, da Novo Nordisk, e o Mounjaro, à base de tirzepatida, da Eli Lilly.

A expansão desse mercado também acendeu alertas regulatórios. A Anvisa tem reforçado a fiscalização contra produtos sem registro nacional, especialmente diante da procura por medicamentos fabricados no Paraguai e por fórmulas manipuladas.

Após a perda da patente, a Novo Nordisk buscou fortalecer sua presença no Brasil por meio de parceria com a Eurofarma. A farmacêutica nacional lançou a semaglutida sob as marcas Poviztra, voltada à perda de peso, e Extensior, indicada para diabetes.

O governo também acompanha o avanço dos novos registros, diante da expectativa de futuramente incorporar medicamentos desse tipo ao SUS (Sistema Único de Saúde). Para que isso ocorra, é necessária avaliação da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS), responsável por analisar vantagem terapêutica e impacto orçamentário.

A disputa pelo mercado dos medicamentos para emagrecimento ganhou nova dimensão no ano passado, com atuação direta do governo Lula (PT). A Anvisa atendeu a um pedido do Ministério da Saúde e passou à frente da fila de análise 20 pedidos de medicamentos emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida.

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