Chanceler do Irã pede união do BRICS contra “sentimento de superioridade e impunidade” dos EUA
Abbas Araghchi defendeu “medidas práticas para deter o belicismo e acabar com a impunidade daqueles que violam a Carta das Nações Unidas”
247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, defendeu, nesta quinta-feira (14), uma atuação conjunta dos países do BRICS contra o que chamou de “sentimento de superioridade e impunidade” dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante a reunião de chanceleres do grupo, realizada em Nova Délhi, na Índia. As informações são da RT Brasil.
O diplomata iraniano afirmou que as agressões estadunidenses e o silêncio do Ocidente diante dessas ações “só se tornam possíveis por causa de um sentimento de impunidade e ausência de responsabilização”. Araghchi disse que esse “falso sentimento de superioridade e impunidade deve ser destruído por todos nós”.
O chanceler também pediu que os integrantes do BRICS e a comunidade internacional adotem “medidas práticas para deter o belicismo e acabar com a impunidade daqueles que violam a Carta das Nações Unidas”.
Durante o discurso, Araghchi afirmou que o Irã foi alvo de duas agressões dos Estados Unidos e de Israel no último ano. Segundo ele, outros países do BRICS também enfrentam “pressão e coerção odiosas” por parte de Washington.
“Não podemos ignorar a ameaça comum e perigosa que todos nós enfrentamos”, disse. O ministro iraniano sustentou ainda que o BRICS deve ocupar um papel central na construção de uma ordem internacional mais justa, com maior protagonismo do Sul Global.
Em outro trecho da fala, Araghchi afirmou que “potências imperialistas em declínio” tentam impedir o avanço da multipolaridade e preservar sua hegemonia internacional. Ele também acusou potências ocidentais de envolvimento em “genocídios horríveis [e] chocantes violações da soberania nacional”.
Cooperação em defesa
Embora o BRICS tenha mantido, até agora, foco predominantemente econômico, propostas recentes discutem uma possível ampliação da cooperação em segurança e defesa entre os países do bloco.
Após o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fortalecimento da cooperação entre países do Sul Global.
Em reunião realizada em março com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, Lula alertou para o risco de vulnerabilidade diante de uma possível “invasão”.





