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Ásia deve gerar 49,7% do PIB global em 2026, aponta relatório

Crescimento de 4,5% reforça papel da região como principal motor da economia mundial

Ásia deve gerar 49,7% do PIB global em 2026, aponta relatório (Foto: CGTN)

247 - A Ásia segue como principal motor do crescimento econômico global, ampliando sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) mundial e reforçando sua relevância em setores estratégicos, segundo relatório divulgado na terça-feira (24) pelo Fórum Boao para a Ásia (BFA). De acordo com o documento, a economia asiática deve crescer 4,5% em 2026, com sua fatia no PIB global atingindo 49,7%, ante 49,2% em 2025, considerando a paridade do poder de compra. 

Intitulado “Asian Economic Outlook and Integration Progress Annual Report 2026”, o relatório destaca a resiliência da região diante de desafios globais e sua crescente contribuição para o comércio internacional e o desenvolvimento sustentável. Durante coletiva de imprensa, o secretário-geral do BFA, Zhang Jun, afirmou que muitos já consideram que o chamado “século asiático” se tornou realidade.

Segundo Zhang, mesmo diante de pressões econômicas, a Ásia mantém perspectivas positivas e segue desempenhando papel central na economia mundial. O Fórum Boao para a Ásia, criado em 2001, é uma organização internacional sem fins lucrativos voltada à promoção da integração econômica regional e ao fortalecimento da cooperação entre os países asiáticos.

O encontro anual do BFA ocorre entre os dias 24 e 27 de março, na província de Hainan, no sul da China, com o tema “Construindo um futuro compartilhado: novas dinâmicas, novas oportunidades, nova cooperação”.

O relatório também aponta que a Ásia permanece como principal destino global de investimento estrangeiro direto, impulsionada por sua capacidade de crescimento e estabilidade. China e países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) são destacados como os mercados mais atrativos para investidores internacionais.

No campo tecnológico, o documento indica uma mudança significativa no eixo global de desenvolvimento da inteligência artificial (IA), que vem migrando da Europa e dos Estados Unidos para a Ásia. “Aproveitando suas grandes populações digitais, ecossistemas diversificados de aplicação e estruturas políticas coerentes, as economias asiáticas estão evoluindo rapidamente de seguidoras para líderes em IA”, afirma o relatório.

A complexidade da cadeia produtiva da inteligência artificial também foi destacada por Lydia Chen, parceira de pesquisa da Deloitte China. “Avançando, a colaboração nos níveis industrial, de software, dados e políticas ajudará a facilitar um fluxo mais conveniente e eficiente de fatores-chave”, declarou.

Outro estudo apresentado durante o evento aborda o desenvolvimento sustentável na região, indicando que a Ásia está se consolidando como força central na transição global para energias limpas e de baixo carbono. A região, antes caracterizada como o maior centro de consumo de energia tradicional, passa a assumir protagonismo no avanço de fontes renováveis.

No campo da integração regional, o relatório aponta o fortalecimento do comércio intra-asiático, cuja dependência subiu de 56,3% em 2023 para 57,2% em 2024. O movimento reflete uma tendência crescente de aproximação econômica entre os países da região.

As economias da Ásia-Pacífico também avançam de um modelo de integração individual nas cadeias globais de valor para uma dinâmica de integração regional compartilhada, elevando sua posição nas cadeias produtivas com apoio interno.

O relatório ainda destaca que investimentos crescentes em infraestrutura digital, aliados à dimensão dos mercados asiáticos e à integração econômica, estão transformando a região em um dos principais motores do comércio global de serviços.

Para Denis Depoux, diretor-geral global da consultoria Roland Berger, a Ásia tem se consolidado como referência mundial em crescimento, com destaque para o papel da China impulsionado por avanços tecnológicos significativos.

Já Sang Baichuan, diretor do Instituto de Economia Internacional da Universidade de Negócios Internacionais e Economia, ressaltou que a abertura econômica chinesa contribui para um novo modelo de globalização mais inclusivo. “Isso permite que o mercado aberto e amplo da China ofereça mais oportunidades para as economias asiáticas e para o mundo”, afirmou.

Segundo ele, essa dinâmica tende a fortalecer a coesão interna da economia asiática e ampliar sua capacidade de enfrentar choques externos.

A importância da cooperação regional também foi destacada por Rebecca Fatima Sta Maria, ex-diretora executiva do secretariado da APEC. “Essa previsibilidade pode atrair investimentos e promover um desenvolvimento mais sustentável e duradouro”, disse.

O relatório ainda ressalta que 2026 marca o “Ano da China” na APEC, cujo tema será “Construindo uma comunidade Ásia-Pacífico para prosperar juntos”. O país sediará, em novembro, a 33ª reunião de líderes econômicos do bloco.

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