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EUA sancionam empresas e petroleiros chineses por operação no setor petrolífero da Venezuela

Departamento do Tesouro coloca quatro companhias e navios em lista de sanções e amplia pressão contra Caracas

Donald Trump e Nicolás Maduro (Foto: Manaure Quintero/Reuters I Piroschka Van De Wouw/Reuters)

247 – Os Estados Unidos anunciaram novas sanções contra empresas e embarcações ligadas ao transporte de petróleo venezuelano, ampliando a ofensiva econômica contra o país sul-americano e mirando, desta vez, estruturas associadas à China e a navios petroleiros registrados em diferentes bandeiras. A medida foi divulgada pelo Departamento do Tesouro norte-americano nesta quarta-feira (31), em comunicado que acusa companhias e navios de “operar no setor petrolífero venezuelano”.

A informação foi publicada pela RT Brasil, que detalhou que as entidades sancionadas foram incluídas na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) do Office of Foreign Assets Control (OFAC), órgão responsável pela aplicação de sanções econômicas pelos EUA. Ao integrar essa lista, empresas e ativos passam a enfrentar fortes restrições financeiras e comerciais, como bloqueios e impedimentos de transações com agentes norte-americanos.

Quatro empresas chinesas entram na lista SDN

Segundo o Tesouro dos EUA, quatro companhias com sede na China foram alvos diretos das sanções: Aries Global, Corniola, Krape Myrtle e Winky International. A justificativa apresentada por Washington é a de que essas empresas estariam ligadas ao comércio de petróleo venezuelano, setor considerado estratégico e vital para a economia do país.

Além das empresas, o OFAC também mirou embarcações associadas a essas operações. Os petroleiros incluídos na lista SDN foram identificados como Della e Valiant, ambos com bandeira de Hong Kong; Nord Star, registrado no Panamá; e Rosalind, com bandeira da Guiné.

Tesouro dos EUA fala em “frota paralela” e ameaça ampliar punições

O Departamento do Tesouro alegou, sem apresentar provas, que parte desses navios integraria uma suposta “frota paralela” que prestaria serviços à Venezuela e manteria o fluxo de receitas para o governo do presidente Nicolás Maduro, a quem Washington se refere de forma hostil. O governo norte-americano afirmou que os navios “continuam fornecendo recursos financeiros” ao governo venezuelano.

Em tom de advertência, o Tesouro reforçou o recado de que qualquer ator econômico que participe do comércio de petróleo do país poderá ser punido: “A medida de hoje é mais um sinal de que aqueles que participam do comércio petrolífero venezuelano continuam enfrentando riscos significativos de sanções”, declarou o governo norte-americano.

A decisão se insere numa escalada de medidas de coerção econômica que, ao longo dos últimos anos, vêm atingindo não apenas instituições venezuelanas, mas também empresas estrangeiras e redes de transporte e logística associadas ao petróleo do país — principal fonte de receitas de Caracas.

Escalada militar e acusações sem provas marcam ofensiva contra Caracas

O episódio acontece em meio a um contexto mais amplo de tensões. De acordo com o texto publicado, a medida surge “após a apreensão de petroleiros no Caribe”, o que reforça o componente geopolítico e militar associado às sanções. A RT Brasil afirma que, em agosto, os EUA enviaram “navios de guerra, submarino, caças e tropas” para a costa venezuelana sob o pretexto de “combater o narcotráfico”.

Ainda segundo o texto, desde então ocorreram bombardeios contra supostas embarcações ligadas ao tráfico nas águas do Caribe e do Pacífico, com relatos de dezenas de mortos. O material menciona que Washington acusou Maduro, sem provas, de liderar um suposto “cartel de drogas” e que acusações semelhantes também teriam sido feitas contra o presidente colombiano Gustavo Petro, que teria condenado ataques mortais na região.

Trump admitiu autorização à CIA para operações secretas, diz texto

O relato inclui também um trecho sobre infiltrações de inteligência. Segundo a reportagem, Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, admitiu ter autorizado a CIA a realizar operações secretas em território venezuelano em meados de outubro. A menção aparece como parte do quadro de pressão que, na visão do governo venezuelano, não se limita à esfera econômica.

A RT Brasil destaca que Maduro reagiu em tom irônico e crítico à suposta revelação, dizendo: “Alguém acredita que a CIA não opera na Venezuela há 60 anos? (...) [Que] não conspira contra o comandante Chávez e contra mim há 26 anos?”

Caracas acusa EUA de buscar “mudança de regime” e controle do petróleo

O governo venezuelano, de acordo com o material, sustenta que o verdadeiro objetivo das ações norte-americanas é promover uma “mudança de regime” e se apropriar das riquezas estratégicas do país, sobretudo petróleo e gás. A narrativa venezuelana insiste que a pressão internacional e as sanções fazem parte de uma operação política para enfraquecer o Estado e controlar recursos naturais.

Em paralelo, o texto relata que as ações militares dos EUA teriam provocado forte reação internacional. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, teria condenado os bombardeios norte-americanos contra pequenas embarcações sob alegação de “combate ao narcotráfico”, afirmando que ao menos 100 pessoas morreram.

A reportagem diz ainda que governos como os de Rússia, Colômbia, México e Brasil condenaram os bombardeios. E acrescenta que peritos da ONU apontaram que as ações norte-americanas seriam “execuções sumárias”, em violação ao direito internacional.

Sanções ampliam tensão e atingem agentes externos

Ao sancionar empresas chinesas e navios com bandeiras diversas, Washington reforça a estratégia de estender o alcance da política de pressão sobre a Venezuela para além de suas fronteiras. Na prática, a medida busca dificultar a capacidade de Caracas de escoar e comercializar petróleo, impondo custos e riscos a operadores internacionais do setor.

O caso tende a intensificar a disputa geopolítica em torno do petróleo venezuelano, envolvendo potências e redes globais de transporte marítimo, e aprofunda o debate sobre os impactos humanitários e políticos de sanções econômicas e ações militares em contextos internacionais já marcados por instabilidade e conflito.

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