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Ineep: EUA ampliam ofensiva contra a Venezuela e ameaçam soberania regional

Análise aponta riscos à América Latina e impactos diretos para o Brasil

Bombas de extração de petróleo são vistas no Lago Maracaibo, em Cabimas, na Venezuela, em 5 de outubro de 2017 (Foto: REUTERS/Isaac Urrutia/Arquivo)

247 - O Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) avalia que os Estados Unidos intensificaram a ofensiva contra a Venezuela, movimento que amplia os riscos à soberania da América Latina e gera impactos diretos para o Brasil. A análise consta do editorial do Boletim Ineep nº 32, divulgado em janeiro de 2026.

Segundo o  Ineep, a escalada recente se insere em uma estratégia mais ampla de Washington para retomar sua influência no Hemisfério Ocidental. O editorial aponta que o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa por agentes militares estadunidenses, somado a declarações públicas do presidente Donald Trump, expressa diretrizes já formalizadas na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, publicada em novembro de 2025.

O documento estratégico defende explicitamente a retomada da Doutrina Monroe como eixo central da política externa estadunidense, com o objetivo de restaurar a preeminência dos Estados Unidos sobre a América Latina.

Sanções e pressão econômica

O boletim destaca que a Venezuela enfrenta há mais de uma década um regime de sanções econômicas e financeiras que afetou de forma severa sua capacidade produtiva. O setor petrolífero aparece como o mais impactado. Entre 2017 e 2024, a produção de petróleo venezuelana recuou cerca de 56,5%, em consequência direta das restrições impostas à estatal PDVSA e da interrupção de investimentos.

A pressão foi intensificada a partir de agosto de 2025, com o aumento da presença militar estadunidense no mar do Caribe e com ataques a embarcações venezuelanas, justificados oficialmente pelo suposto combate ao narcotráfico.

Interesses geopolíticos e estratégicos

A análise ressalta que os interesses dos Estados Unidos na Venezuela não se limitam ao petróleo. A localização estratégica do país, entre o Caribe e a América do Sul, com fronteiras com Colômbia, Brasil e Guiana, amplia sua relevância no tabuleiro geopolítico regional.

Além disso, as reservas venezuelanas de minerais estratégicos e a presença crescente de potências extrarregionais, como China e Rússia, que mantêm investimentos e parcerias no país, são apontadas como fatores centrais para a intensificação da ofensiva estadunidense.

Impactos para a América Latina e o Brasil

O editorial conclui que a atuação dos Estados Unidos representa um ataque direto à soberania venezuelana e sinaliza disposição de intervir nos rumos políticos de outros países da região. Para o Brasil, o cenário descrito pelo Ineep exige atenção especial e posicionamento em defesa da soberania nacional, da autonomia regional e do princípio da não intervenção.

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