O Ibovespa na era do golpismo

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Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Reuters)


Muitos se assustam com as variações do índice Bovespa ao longo das últimas semanas, como se medidas como combater a fome e promover o desenvolvimento econômico fossem uma grande ameaça aos fundamentos econômicos do país.

Mas vejamos como silenciosamente a era do golpismo (2016 a 2022) gerou um colapso no mercado que foi bovinamente silenciado pelos meios de comunicação de todos os níveis:

Em primeiro lugar o índice Bovespa ou B3 é a representação das maiores empresas aqui operantes e que correspondem a 80% do mercado, ou seja, é o coração da economia brasileira.

Em segundo lugar é importante esclarecer que o índice reflete o valor de R$ 1,00 por ponto. Assim, no seu “glorioso momento” esse índice chegou a 120 mil pontos, que refletia R$ 120 mil reais em uma média global de todas as ações negociadas, considerando cada unidade acionária de todas as empresas. Simples assim.

Em 2016, com forte pressão golpista o índice chegou a 57 mil pontos. O dólar estava sendo negociado a R$ 3,50. Mais uma vez: valores artificiais que queriam agir em prol do golpismo.

De lá pra cá qual é o valor real da Bovespa em dólar, somado ao descontrole inflacionário desse período em comparação com o pior momento do governo Dilma?

Como são dados distintos, devem ser acrescidos em ordem monetária: primeiro devemos verificar a desvalorização da moeda e depois deduzir a inflação do período que é sempre relativa ao ano anterior.

De cara, o valor de R$ 5,20 do dólar já derruba o índice em 32% o levando - considerando o seu melhor momento, de 120 mil pontos - para 81.600 pontos.

Agora vejamos os índices inflacionários.

2016: 6,29% de inflação - levando o Ibovespa a 76.400 pontos

2017: 4,46% de inflação - levando o Ibovespa a 73.000 pontos

2018: 5,9% de inflação - levando o Ibovespa a 68.700 pontos

2019: 4,31% de inflação - levando o Ibovespa a 65.700 pontos

2020: 5,91% de inflação - levando o Ibovespa a 61.800 pontos

2021: 10,06% de inflação - levando o Ibovespa a 55.600 pontos

2022: 5,8% de inflação - levando o Ibovespa a 52.440 pontos

Ou seja, após 6 anos de golpismo o país regrediu de 57.000 pontos para 52.440 pontos. Regredimos 8%…

Isso sem ponderar os seguintes fatores: 1 - a desvalorização inflacionária é mensal e não anual o que levaria a um resultado atualizado ainda pior. 2 - o dólar também se desvalorizou internacionalmente o que poderia levar a uma ponderação ainda pior para o Brasil e o Ibovespa. Essa é, assim, uma avaliação generosa da era golpista.

Por isso temos hoje um mercado frágil, volátil e, em valor internacional, pífio. O golpismo nos fez ainda perder empresas como a Ford e a Sony, nos fez assistir a um processo agudo de desindustrialização (até mesmo da agroindústria), nos devolveu a fome, destruiu direitos trabalhistas e previdenciários que movimentavam a economia popular e adotou uma política de terra arrasada nos setores de serviço - o que mais emprega no país - com execuções fiscais recordes, veto ao Refis e escassez de crédito.

De brinde, ganhamos o colapso de várias instituições governamentais, a privatização vergonhosa dos mais valorosos setores da Petrobras e de outras empresas estratégicas. Por fim, quase destruíram toda a democracia.

Por isso, o governo de transição não deve temer bater forte no balcão das negociações com o Congresso e com o Senado. O governo Lula é um governo de salvação nacional, o que inclui também o mercado financeiro.

Fala-se que dar 4 anos de Bolsa Família para o novo governo é dar um cheque em branco ao Lula… Cheque em branco foi dado pelos poderes constituídos ao golpismo que gerou o colapso econômico e social no país por 6 anos. Nem Temer e nem Bolsonaro tiveram qualquer projeto de desenvolvimento econômico para o país.

O primeiro se incumbiu de destruir direitos e criar um teto de gastos que inexiste em qualquer país do mundo e o segundo além de destruir direitos e a economia, escalou um time de alucinados para as pastas ministeriais, tendo como maior símbolo Pazuello, o ministro do genocídio da COVID.

Sabemos que Bolsonaro rapou o caixa e não tem dinheiro para quase nada para o próximo ano. A criação de um déficit é mandatório. Mas a natureza do déficit, se aplicado em desenvolvimento, se reverte em crescimento econômico que se paga.

O Congresso e o Senado estão fazendo lobby por cargos para vender caro a aprovação de medidas fundamentais. Caso puxem muito a corda, o governo Lula tem uma solução: governar com o STF, pois as urgências ferem princípios constitucionais e podem ser deferidos sem ter que passar pelas duas casas.

Não é o ideal, seria algo inédito e ninguém deseja isso. Mas ninguém do campo democrático desejou herdar o caos criado por aqueles que - usando de forma obscena a máquina do Estado - foram reeleitos e formam uma maioria farsante que representa o colapso de toda a nação.

Lula tem que falar grosso e tem que começar a falar agora. Porque falar fino com essa turma o levará à ingovernabilidade e ao ressurgimento do golpismo, que não interessa a absolutamente ninguém nesse momento e em qualquer ponto do futuro desse país.

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