Reunião Lula-Trump mostra quem define a relação Brasil-EUA
Os dois presidentes discutem assuntos sensíveis e acordos estratégicos, destaca o colunista Leopoldo Vieira
A confirmação de uma reunião entre os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e americano, Donald Trump, aponta claramente que os dois líderes são quem efetivamente conduzem o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos para um saldo de “ganha-ganha”.
Apesar das farpas recentes entre os dois países, causadas por articulações entre ativistas do movimento MAGA, que compõem o entorno de Trump, e do bolsonarismo, visto com “salto alto” devido ao empate técnico do senador Flávio Bolsonaro com Lula nas pesquisas, o petista e o republicano tendem a avançar principalmente em acordos sobre a exploração de minerais críticos e terras raras com agregação de valor, e na cooperação contra o chamado “andar de cima” do crime organizado.
Uma decisão sobre classificar organizações criminosas brasileiras como terroristas pode ser objeto de análise tête-à-tête entre eles. Não se descarta que o Brasil seja ouvido também acerca de um acordo nuclear com o Irã. O protagonismo do País nesse assunto, em 2010, foi bloqueado por escolhas do governo democrata de Barack Obama.
A viagem de Lula aos EUA ocorre no contexto da rejeição do nome de Jorge Messias, Advogado-Geral da União (AGU), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), que tem sido explorada por adversários do petista para tentar fazê-lo desistir da reeleição. Mas, o movimento acontece também em meio à disputa em torno do fim da escala 6x1 e ao lançamento de um novo programa de renegociação de dívidas das classes médias e populares.
“Os obstáculos que temos pela frente são enormes. Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil” , disse Lula, em pronunciamento nacional no 1º de Maio. Em paralelo, declarações recentes de ministros do STF, como Gilmar Mendes e Edson Fachin, sugerem que as investigações relacionadas ao Banco Master podem aumentar sua “lupa” sobre o papel do mercado financeiro na engrenagem.
As diferenças ideológicas entre Lula e Trump são conhecidas e reivindicadas por ambos, não impedindo, porém, uma “química” entre eles, como alegou o americano ao retirar o “bode” Jair Bolsonaro do relacionamento entre Brasília e Washington.
A reunião será quinta-feira, na Casa Branca. Em benefício do presidente, o anúncio já embute o potencial de redirecionar a expectativa da opinião pública para os resultados do diálogo. Um desfecho negativo ao Palácio do Planalto, por sua vez, poderá reimpulsionar a bandeira da soberania nacional.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.



