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Após dizer que Flavio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro, Valdemar diz que fala foi "descontextualizada"

Entrevista do presidente do PL expôs divergência sobre encontro de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto (Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil)
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247 - O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que teve sua fala “descontextualizada” após repercussão de declarações sobre o encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As informações são do jornal O Globo.

A controvérsia começou após entrevista concedida por Valdemar à GloboNews, na segunda-feira (25), quando o dirigente partidário afirmou que Vorcaro financiou o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, para manter proximidade com a família Bolsonaro e com o projeto político do PL.

Na entrevista, Valdemar disse que o apoio financeiro ao longa tinha motivação política e estaria ligado ao cenário eleitoral. "Porque ele queria estar bem com a família Bolsonaro. Nós vamos ganhar a Presidência de novo. Quem não quer estar bem com o presidente da República?", disse o dirigente partidário em entrevista à GloboNews

Valdemar associou financiamento a apoio político

Na entrevista, Valdemar também comentou a cobrança de R$ 134 milhões feita por Flávio Bolsonaro para a conclusão do filme. Segundo o dirigente do PL, o senador procurou Vorcaro para tentar obter o restante dos recursos destinados à produção cinematográfica. “Foi visitar para ver se conseguia o restante do dinheiro”, afirmou. Ao todo, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões para a produção do filme.

O presidente do PL ainda minimizou a visita feita por Flávio à casa de Vorcaro, em São Paulo, em novembro de 2025, pouco depois da primeira prisão do ex-banqueiro. “Foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez, mas o que o Flávio fez é natural [pedir dinheiro para o filme]. Visitar o Vorcaro também, porque o Vorcaro tinha ajudado ele”, disse.

Valdemar também declarou que, à época em que os recursos foram solicitados, Vorcaro ainda não enfrentava investigações. “Lógico, o cara [Vorcaro] não tinha problema nenhum quando ele [Flávio Bolsonaro] pediu dinheiro”, afirmou.

Declaração contradiz versão de Flávio Bolsonaro

As declarações de Valdemar divergiram da versão apresentada anteriormente por Flávio Bolsonaro sobre o encontro com Vorcaro. O senador sustenta que a reunião teve como objetivo apenas “colocar um ponto final” na relação entre ambos. A fala do presidente do PL provocou forte repercussão nas redes sociais e gerou críticas de integrantes da esquerda e de aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Presidente do PL recua após repercussão

Após a repercussão negativa, Valdemar publicou um vídeo nas redes sociais afirmando que trechos da entrevista foram retirados de contexto e negou ter conversado diretamente com Flávio Bolsonaro sobre o encontro com Vorcaro.

“Eu dei uma entrevista ontem na Globonews e só me perguntaram do Flávio e do Vorcaro. Acontece que algumas pessoas tiveram o trabalho de cortar e publicar um trecho de um raciocínio que dá a entender que eu estava falando da conversa deles. Daí, eu fui assistir o que eu tinha dito e ficou um pouco confuso mesmo. Só que na mesma entrevista, isso foi esclarecido e eu afirmei que nunca falei com o Flávio sobre esse assunto”, declarou.

Na legenda da publicação, Valdemar escreveu que “tentaram recortar uma fala, mas a entrevista completa tem o cenário completo”.

Boulos e aliados criticam fala de Valdemar

Perfis ligados ao PT afirmaram que Valdemar teria cometido um “ato falho” ao comentar o caso. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também criticou o dirigente do PL. “Mais um sincericídio de Valdemar sobre Flávio Bolsonaro”, escreveu Boulos nas redes sociais.

“Agora ele admite que Flávio Bolsonaro foi encontrar Vorcaro para cobrar dinheiro — e ainda diz que isso é ‘a coisa mais natural do mundo’. Natural? Um senador visitando um banqueiro recém-saído da prisão, de tornozeleira, para cobrar R$ 134 milhões? Primeiro, negaram tudo. Depois veio a cobrança. Agora tentam normalizar o absurdo”, completou o ministro.

A fala de Valdemar também gerou críticas dentro do próprio campo bolsonarista. Fabio Wajngarten, ex-advogado de Jair Bolsonaro, afirmou que entrevistas do dirigente acabam produzindo desgaste político.“Pela enésima vez uma entrevista resulta em mais ruídos e perda de foco no que realmente faz a diferença”, escreveu.

O caso ocorre em meio ao avanço de questionamentos sobre o financiamento do filme Dark Horse e a relação entre integrantes do PL e Daniel Vorcaro. Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro no caso relacionado ao financiamento da produção cinematográfica.

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