Após Toffoli deixar relatoria, STF vai manter provas e atos processuais do Caso Master na Corte
Ministros rejeitam suspeição e preservam atos já praticados na investigação
247 - Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiram nesta quinta-feira (12) que o ministro Dias Toffoli deixará a relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Ao mesmo tempo, a Corte definiu que todas as provas e atos processuais já praticados permanecem válidos e continuarão sob responsabilidade do tribunal. Com isso, segundo a Folha de São Paulo, a investigação não será reiniciada e as medidas já adotadas seguem produzindo efeitos jurídicos. O entendimento foi firmado após reunião reservada entre os magistrados.
Reunião reservada e decisão unânime
Em nota conjunta, os ministros afirmaram “não ser caso de cabimento para arguição de suspeição”. No mesmo comunicado, declararam que “reconhecem, assim, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli na relatoria da Reclamação n. 88.121 e de todos os processos a ela vinculados por dependência”.
A deliberação impede a anulação automática de decisões já tomadas. Caso fosse reconhecida a suspeição ou o impedimento do relator, depoimentos colhidos, acareações realizadas e mandados de busca e apreensão poderiam perder validade.
A redistribuição do processo para outro ministro deve ocorrer ainda nesta quinta-feira, conforme informado na reportagem.
Relatório da PF e mensagens analisadas
A decisão ocorre após a Polícia Federal encaminhar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório com mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
As conversas envolvem Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, e tratam de pagamentos à empresa Maridt, que tem Toffoli entre os sócios. Nas mensagens, ambos mencionam o nome do ministro e discutem transferências relacionadas à compra de um resort no Paraná, empreendimento que teve a Maridt como sócia. Há referências a pagamentos feitos em 2025, ano de conclusão do negócio.
Fabiano Zettel, casado com Natália Vorcaro, irmã do banqueiro, chegou a ser detido pela Polícia Federal. De acordo com a reportagem, ele atuava como uma espécie de gestor financeiro do cunhado.
A PF também encontrou conversas entre Vorcaro e Toffoli no aparelho do ex-banqueiro. A informação foi revelada pelo UOL e confirmada pela Folha com uma autoridade que acompanha as investigações. Procurado, o STF não se manifestou sobre esse ponto. A menção ao ministro levou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a apresentar o material diretamente ao presidente do Supremo.
Nota de Toffoli e participação societária
Também nesta quinta-feira (12), Toffoli divulgou nota confirmando que “faz parte do quadro societário” da empresa Maridt, que foi uma das proprietárias do resort Tayayá, no Paraná. No texto, afirmou ainda que a empresa “foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro” até 21 de fevereiro de 2025.
Segundo o ministro, a Maridt vendeu suas cotas ao fundo Arleen, apontado como integrante da estrutura empresarial ligada a Daniel Vorcaro, investigado por supostas irregularidades na condução do Banco Master. Toffoli declarou, contudo, que nunca soube quem era o gestor do fundo.
Ele afirmou também que “jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro”. Acrescentou que “jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
De acordo com a reportagem, entre 2021 e 2025 os irmãos José Eugenio Dias Toffoli e José Carlos Dias Toffoli dividiram o controle do resort Tayayá com o fundo Arleen. O fundo teria ingressado na sociedade ao adquirir cotas de empresas pertencentes aos familiares do ministro e a um primo. O fundo Arleen era controlado por outro fundo, o Leal, que, conforme o jornal O Estado de S. Paulo, pertence a Fabiano Zettel.


