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Boulos defende fim imediato da escala 6x1: 'queremos que caia já'

Ministro defende transição curta e detalha regras para trabalho por aplicativos

Guilherme Boulos (Foto: Ascom SGPR/Divulgação )

247 - O governo federal intensifica a articulação para aprovar o fim da escala 6x1, defendendo uma transição curta para adaptação das empresas e apresentando também novas regras para o trabalho por aplicativos. A proposta foi enviada ao Congresso Nacional em regime de urgência e integra a agenda prioritária da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Queremos que a escala 6x1 acabe já", disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, nesta sexta-feira (17), segundo o G1

Governo rejeita transição prolongada

Ao comentar a tramitação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Boulos afirmou que o governo aceita um período de adaptação, mas rejeita prazos extensos como o sugerido por parlamentares. Segundo o ministro, a transição deve ser limitada ao tempo necessário para ajustes operacionais.

 "Uma transição pode ser de adaptação, de 90 dias, não é? É preciso dar um prazo mínimo para as empresas se adaptarem, organizarem as escalas de trabalho. Agora, nós não admitimos nenhum tipo de transição como foi pensada na CCJ pelo relator Paulo Azi, de cinco anos. Aí não é transição, é postergação, né?", ressaltou.

Proposta inclui regras para trabalho por aplicativos

Além da mudança na jornada tradicional, o projeto do governo também trata da regulamentação do trabalho por aplicativos, com foco na remuneração e nas condições de trabalho.

Entre os pontos apresentados, está a previsão de pagamento mínimo de R$ 10 por corrida, além de R$ 2,50 por quilômetro adicional em trajetos acima de 4 km. O texto também prevê pagamento integral em casos de entregas agrupadas. "O que a gente quer é que essa tecnologia garanta dignidade para as pessoas que operam essas plataformas", disse Boulos.

Ele destacou ainda que o valor proposto responde a uma reivindicação antiga da categoria. "Os R$ 10 são uma demanda e uma reivindicação da categoria — e, aliás, plenamente justificadas. Se você olhar qual era a remuneração média por hora dos motofretistas antes da entrada dos aplicativos e fizer uma correção inflacionária, vai ver que o valor seria maior do que R$ 10. O que eles estão pedindo é uma reposição. Quando os aplicativos entraram, ampliaram as oportunidades de trabalho, mas houve perda na remuneração", afirmou.

O projeto segue em análise no Congresso com prioridade, o que pode acelerar sua votação. A proposta reúne duas frentes consideradas estratégicas pelo governo: a mudança na escala de trabalho e a regulamentação das atividades por aplicativos no país.

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