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Datafolha aponta desconfiança no STF, mas maioria ainda vê corte como essencial para a democracia

Pesquisa revela percepção de excesso de poder entre ministros e queda de confiança pública e pressão política sobre o Supremo

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal - STF (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

247 – Uma pesquisa do instituto Datafolha revela um retrato complexo da percepção dos brasileiros sobre o Supremo Tribunal Federal (STF): ao mesmo tempo em que 75% consideram que os ministros têm poder excessivo, 71% avaliam que a corte é essencial para a proteção da democracia. Os dados foram divulgados pela Folha de S. Paulo.

O levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de abril de 2026, ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais. Registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pesquisa mostra ainda que 75% dos entrevistados acreditam que a confiança no STF diminuiu em relação ao passado.

Percepção de excesso de poder é ampla e atravessa espectros políticos

A avaliação de que os ministros do Supremo têm poder além do necessário é majoritária em diferentes grupos políticos, embora com intensidades distintas. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022, 88% compartilham essa visão.

Já entre os que votaram no presidente Lula (PT), o percentual é menor, mas ainda expressivo: 64%. Entre eleitores que votaram branco, nulo ou em nenhum candidato, 67% também afirmam que há excesso de poder na corte.

Os dados indicam que a crítica ao STF não está restrita a um único campo político, mas se espalha por diferentes segmentos da sociedade.

Supremo é visto como pilar democrático, apesar das críticas

Apesar das críticas, a maioria dos brasileiros reconhece o papel institucional do STF. Entre os eleitores de Lula, 84% consideram que a corte é essencial para a democracia.

Entre os eleitores de Bolsonaro, o índice também é significativo, atingindo 60%. Já entre os que não votaram em nenhum candidato, 73% compartilham dessa avaliação.

Esse contraste evidencia uma percepção ambivalente: ao mesmo tempo em que o Supremo é visto como necessário para a estabilidade democrática, sua atuação é alvo de crescente questionamento.

Crise de confiança e desgaste institucional

A pesquisa ocorre em um contexto de forte exposição do STF no debate público, intensificado desde o julgamento do mensalão e ampliado por decisões de grande impacto político.

Entre os episódios recentes que colocaram a corte no centro das atenções estão os desdobramentos da Lava Jato, o rito do golpe de Estado contra Dilma Rousseff, a anulação das condenações do presidente Lula, a atuação durante a pandemia de Covid-19 e os julgamentos relacionados aos atos de 8 de janeiro e à tentativa de golpe.

Nos últimos anos, medidas consideradas heterodoxas — como o inquérito das fake news — também contribuíram para o protagonismo e, ao mesmo tempo, para o desgaste da imagem do tribunal.

Mais recentemente, suspeitas envolvendo ministros e o escândalo do Banco Master ampliaram a pressão sobre a corte, reforçando cobranças por maior transparência e adoção de um código de ética.

STF no centro da disputa política

O Supremo deve permanecer no centro do debate político nos próximos meses, especialmente nas eleições para o Senado. Aliados de Jair Bolsonaro articulam campanhas com foco em obter maioria suficiente para avançar em propostas de impeachment de ministros da corte.

Paralelamente, juristas e setores da sociedade civil defendem reformas no funcionamento do STF, incluindo a limitação de decisões monocráticas e a adoção de regras mais rígidas de governança.

Há, entre especialistas, o entendimento de que, caso a própria corte não conduza mudanças internas, reformas poderão ser impostas por pressões externas — o que levanta preocupações sobre possíveis retrocessos institucionais.

Ambivalência reflete momento crítico das instituições

Os dados do Datafolha evidenciam um momento de tensão entre confiança institucional e crítica pública. O STF permanece como peça-chave na arquitetura democrática brasileira, mas enfrenta um cenário de questionamento crescente sobre seus limites de atuação.

Essa ambivalência pode ser interpretada como um reflexo de um sistema político em transformação, no qual instituições são simultaneamente demandadas e contestadas pela sociedade.

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