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Defesa de Vorcaro retoma negociação de delação premiada com a PGR

Ex-CEO do Banco Master tenta apresentar nova proposta após Polícia Federal rejeitar anexos considerados fracos e seletivos

Daniel Vorcaro na prisão (Foto: Reprodução)
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247 – A defesa do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, deve retomar nesta semana as negociações para um acordo de colaboração premiada, agora diretamente com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A nova rodada ocorre depois de a Polícia Federal rejeitar formalmente a primeira proposta apresentada pelo ex-banqueiro.

As informações foram publicadas pela jornalista Malu Gaspar, em O Globo. Segundo a reportagem, o advogado Sérgio Leonardo, que passou a conduzir sozinho as tratativas após a saída de José de Oliveira Lima, conhecido como Juca, deve se reunir com integrantes do Ministério Público Federal ainda nesta semana, possivelmente até sexta-feira.

A expectativa é que a defesa tente demonstrar que a proposta inicial, recusada pela PF, ficou no passado. Para isso, Vorcaro teria de apresentar informações novas e consideradas relevantes para o avanço das investigações sobre o Banco Master e a Operação Compliance Zero.

PF considerou anexos fracos e seletivos

De acordo com a reportagem, delegados da Polícia Federal rejeitaram a proposta por entender que os anexos apresentados eram insuficientes. A avaliação foi de que o material não trazia fatos novos, não ajudava a esclarecer lacunas em mensagens, documentos e registros apreendidos nos celulares de Vorcaro e tampouco avançava sobre pontos que os investigadores consideram centrais.

Entre os temas apontados pela PF está o suposto pagamento de uma mesada de R$ 500 mil e de despesas de luxo ao senador Ciro Nogueira (PP-PI). Segundo a investigação citada pela reportagem, o parlamentar teria patrocinado interesses do dono do Master no Senado Federal em troca de vantagens.

O material também não teria detalhado a atuação de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, e de Felipe Vorcaro, seu primo. Os dois foram alvos de mandados de busca e apreensão na quinta e na sexta etapas da Operação Compliance Zero.

Mudança na defesa abre nova tentativa

A saída de Juca da defesa é vista como um dos elementos que permitiram uma reabertura das conversas. Segundo O Globo, o clima com o Supremo Tribunal Federal azedou depois que o advogado decidiu sustentar a primeira proposta apresentada por Vorcaro.

Ao relator do caso no STF, ministro André Mendonça, Juca teria afirmado que recorreria à Segunda Turma da Corte caso a colaboração não fosse homologada. A postura foi interpretada como uma ameaça pelo magistrado, que deixou de receber a equipe do ex-CEO em seu gabinete.

Na PGR, porém, a decisão foi manter aberta a possibilidade de negociação. O objetivo, segundo a reportagem, seria evitar suspeitas de que a recusa aos anexos tivesse sido motivada por tentativa de proteger nomes citados por Vorcaro.

Retorno à sala de Estado-Maior foi visto como “reset”

Daniel Vorcaro chegou a deixar a sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal em Brasília e foi levado para uma cela de passagem. A defesa afirmou que as condições eram piores do que as carceragens pelas quais ele passou desde sua prisão, em março.

Posteriormente, o ministro André Mendonça autorizou o retorno do executivo à sala original, onde também passou o ex-presidente Jair Bolsonaro antes de ser transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

A decisão foi interpretada como uma espécie de “reset” nas tratativas. É nesse novo contexto que Sérgio Leonardo buscará discutir os termos de uma segunda proposta de colaboração premiada de Daniel Vorcaro com a PGR.

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