Escândalo do Banco Master tem ramificações em todos os Poderes, diz Alessandro Vieira
Relator da CPI do Crime Organizado diz que caso envolve governos, fundos de previdência e mercado financeiro e defende investigação sobre ministros do STF
247 - O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, afirmou que o escândalo envolvendo o Banco Master pode ter alcançado diferentes esferas do poder público brasileiro. Segundo ele, há indícios de que o caso tenha conexões com estruturas administrativas e políticas em diversos níveis.
Em entrevista à CNN Brasil nesta segunda-feira (9), o parlamentar declarou que o episódio apresenta dimensões amplas e pode ter penetrado em diferentes áreas do Estado. Para Vieira, o esquema não se restringe ao sistema financeiro e teria vínculos com administrações municipais, governos estaduais, órgãos federais e fundos de previdência.
“O caso do Banco Master é imenso: ele envolve prefeituras, governos estaduais, governo federal, fundos de previdência, mercado financeiro. Ele teve infiltração, muito provável, via corrupção, no Legislativo, no Executivo e no Judiciário”, afirmou o senador.
Senador busca instalar nova CPI no Senado
Na última sexta-feira (6), Vieira iniciou a coleta de assinaturas para a abertura de uma nova comissão parlamentar de inquérito. A proposta é investigar eventuais relações entre os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o grupo apontado como responsável pelas irregularidades ligadas ao Banco Master.
O senador explicou que a investigação pretendida terá um escopo específico. “O caminho, na experiência que eu tenho como policial e como parlamentar, é você ter um foco muito definido. Então, o foco desta nova CPI é delimitado a apurar as relações entre os dois ministros e esse grupo criminosos — se elas existiram ou não, qual a natureza delas, se os ministros incorreram em alguma falha, para que a gente possa depois aplicar os remédios constitucionais”, declarou.
De acordo com o parlamentar, até o momento foram reunidas 35 assinaturas para a criação da comissão, número superior ao mínimo de 27 apoios exigidos para protocolar o pedido no Senado.
Limites constitucionais da investigação
Durante a entrevista, Vieira também comentou questionamentos sobre a possibilidade de uma eventual CPI impactar decisões judiciais já proferidas por Alexandre de Moraes. Segundo ele, a Constituição estabelece limites claros para o funcionamento de comissões parlamentares de inquérito. “A Constituição não permite que a gente faça, em CPI, revisão ou discussão do conteúdo de decisões judiciais”, disse o senador.
Ele acrescentou que o requerimento apresentado foi elaborado com cautela para respeitar esses limites institucionais. “O requerimento que a gente apresentou é formulado justamente com esse cuidado. A gente sabe com quem estamos lidando: pessoas poderosas, que exercem esse poder de forma muito agressiva. Então, o pedido respeita, especificamente, com todo cuidado, o texto da Constituição.”
Vieira concluiu afirmando que a investigação não terá como objetivo rever sentenças judiciais. “Quem está vendendo para a população que uma CPI ou coisa parecida vai poder revisar julgamentos, está vendendo uma coisa que não existe”, afirmou.


