Ex-presidente do BRB receberia R$ 146,5 mi em imóveis pagos por Vorcaro, diz PF
Segundo a Polícia Federal, Paulo Henrique Costa chegou a receber R$ 74,6 milhões em imóveis relacionados à tentativa de aquisição do Banco Master
247 - O ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (16), receberia R$ 146,5 milhões em imóveis relacionados à tentativa de aquisição do Banco Master. De acordo com os investigadores, R$ 74,6 milhões em imóveis já teriam sido pagos.
Segundo o UOL, as negociações imobiliárias constam em mensagens obtidas pela Polícia Federal que detalham negociações entre o empresário Daniel Vorcaro, o advogado Daniel Monteiro e Paulo Henrique Costa.
Transações imobiliárias sob suspeita
As mensagens analisadas indicam tratativas para a transferência de imóveis localizados em São Paulo e Brasília. Segundo a investigação, essas negociações estavam em andamento até serem interrompidas após Vorcaro ter sido informado, de forma considerada ilegal, sobre a apuração em curso.
Entre os bens citados estão imóveis de alto padrão nos empreendimentos Heritage, Arbórea, One Sixty, Casa Lafer, Ennius Muniz e Valle dos Ipês. Um desses imóveis, conforme a apuração, teria sido colocado à venda no dia da prisão de Vorcaro.
As transações imobiliárias foram determinantes para os pedidos de prisão contra Paulo Henrique Costa e Daniel Monteiro, apontado como responsável pela estrutura jurídica das operações. Ambos foram presos nesta quinta-feira.
Defesa contesta valores apontados
A defesa do ex-presidente do BRB nega as irregularidades. O advogado Cleber Lopes afirmou: "Consideramos que há um exagero". Ao comentar os valores citados na investigação, o defensor afirmou que "não considero essa hipótese [valores de R$ 146 milhões] como válida".
"Vamos aguardar a análise do documento. A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não praticou crime algum", ressaltou.
Até o momento, não houve manifestação da defesa de Daniel Monteiro.
Contexto da operação
A ação desta quinta-feira integra a operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, que apura irregularidades na tentativa do BRB de adquirir o Banco Master. O negócio foi anunciado em março daquele ano.
Segundo a Polícia Federal, o Master enfrentava dificuldades financeiras e teria inflado artificialmente seu patrimônio para viabilizar a operação. O acordo previa a aquisição de 100% das ações preferenciais e 49% das ordinárias, garantindo ao BRB o controle de 58% do capital total.
O Banco Central, no entanto, barrou a operação em setembro de 2025 após analisar os termos da negociação e a situação financeira da instituição.


