Flávio Bolsonaro confirma áudio e admite que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro
Senador divulga nota oficial, defende CPI do Banco Master e afirma que buscava “patrocínio privado para um filme privado”
247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou a autenticidade do áudio divulgado pelo Intercept Brasil em que pede recursos financeiros ao banqueiro Daniel Vorcaro para a conclusão do filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro. Em nota oficial divulgada nesta terça-feira, o parlamentar admitiu ter buscado patrocínio privado para a produção cinematográfica sobre o pai e negou qualquer irregularidade nas negociações.
A manifestação ocorre após a divulgação de mensagens, documentos e gravações obtidos pelo Intercept que apontam uma negociação de até 24 milhões de dólares — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — envolvendo Vorcaro, dono do Banco Master, e integrantes do clã Bolsonaro.
Flávio admite pedido de dinheiro para o filme
Na nota à imprensa, Flávio Bolsonaro afirma que procurava recursos privados para financiar um projeto igualmente privado e reforça que não houve uso de dinheiro público.
“No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet”, declarou o senador.
O parlamentar também confirmou ter conhecido Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, período citado nas mensagens reveladas pelo Intercept.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro”, afirmou.
Segundo Flávio, o contato foi retomado após atrasos no pagamento das parcelas relacionadas ao financiamento do filme.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme”, disse.
Senador nega vantagens e pede CPI
Na nota, Flávio Bolsonaro negou ter oferecido qualquer tipo de benefício em troca do apoio financeiro de Vorcaro.
“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou.
O senador aproveitou a repercussão do caso para defender a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o Banco Master.
“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos”, declarou.
Flávio também tentou associar o caso ao governo do presidente Lula.
“Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ”, acrescentou.
Áudio expôs crise financeira do filme
O áudio divulgado pelo Intercept mostra Flávio Bolsonaro pressionando Daniel Vorcaro sobre os atrasos nos pagamentos relacionados ao filme Dark Horse.
Na gravação, o senador afirma que a produção atravessava um momento crítico e alerta para o risco de desgaste internacional caso os compromissos financeiros não fossem cumpridos.
“Imagina a gente dar calote no Jim Caviezel, no Cyrus, em nomes tão renomados do cinema americano e mundial. Isso poderia ser muito ruim”, afirmou Flávio.
Em outro trecho, o senador diz que o projeto poderia desmoronar caso os pagamentos continuassem atrasados.
“Agora, na reta final, a gente não pode vacilar nem deixar de honrar os compromissos, porque senão podemos perder tudo”, declarou.
Caso aumenta pressão política sobre bolsonarismo
A confirmação da autenticidade do áudio elevou a pressão política sobre o entorno bolsonarista, especialmente após aliados da extrema direita passarem a admitir preocupação com o impacto das revelações.
O comentarista Rodrigo Constantino, identificado historicamente com o bolsonarismo, chegou a afirmar nas redes sociais: “Eu realmente espero que esse áudio seja falso. SE for verdade, acabou”.
As revelações também ampliaram os pedidos de investigação sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master, integrantes do Centrão e figuras ligadas ao bolsonarismo.



