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Flávio Bolsonaro diz que tenta "segurar a onda" de Eduardo contra aliados e dispara: 'não é inteligente'

Flávio defende coordenação política e afirma que postura do irmão atrapalha estratégia eleitoral e a formação de alianças

Flávio Bolsonaro diz que tenta "segurar a onda" de Eduardo contra aliados e dispara: 'não é inteligente' (Foto: Ueslei Marcelino | Reuters)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que tem atuado diretamente para conter críticas do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, a aliados políticos, em meio a tensões dentro do campo conservador. Segundo ele, o esforço busca reduzir conflitos e fortalecer a união da direita como estratégia central para viabilizar sua candidatura à Presidência da República. As declarações foram feitas em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., segundo o jornal O Globo.

Na conversa, o senador destacou a importância de coordenação interna e afirmou que tem dialogado com Eduardo para evitar desgastes públicos entre aliados. “Dos irmãos, converso com Eduardo sempre. Converso até mais com Eduardo do que com o Carlos. Por conta da necessidade, às vezes, de aparar uma aresta, trocar uma ideia, segurar uma onda aqui e ali. Ele é um cara muito preparado. É contraproducente (a postura), ainda mais nesse momento, não é inteligente”.

Tensão interna no bolsonarismo

O episódio ocorre após um atrito público entre Eduardo Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que evidenciou divergências dentro do bolsonarismo em meio à pré-campanha. A discussão teve início quando Eduardo criticou Nikolas por compartilhar conteúdos de perfis que não declaram apoio explícito a Flávio.

A reação do deputado mineiro, com tom irônico, foi seguida por nova manifestação de Eduardo, que afirmou não haver “limites para o desrespeito” com a família Bolsonaro. Após o episódio, Nikolas publicou um vídeo de Flávio defendendo a união da direita, acompanhado da mensagem “concordo, presidente”.

Na entrevista, o senador procurou equilibrar a relação entre os dois aliados e destacou o papel político de ambos. “Eduardo é uma liderança, Nikolas é uma liderança. Mas o Eduardo, por ter tido as contas bloqueadas, fica indignado porque acha que tem que ter a união da direita. Ele fica pensando que o povo tem que fazer mais, mas eu entendo o tempo das pessoas. Nikolas está comigo, é um moleque de ouro. É maduro, inteligente e ajuda expondo o PT” — afirmou.

Disputa por influência e alianças

Nos bastidores, as divergências refletem uma tensão mais ampla sobre os rumos da pré-campanha. Flávio tem buscado ampliar alianças para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo, incorporando novos nomes e negociando apoios em diferentes estados.

Essa estratégia tem gerado resistência entre aliados mais ideológicos e também dentro da própria família. O cenário foi agravado pela situação de Jair Bolsonaro (PL), que no momento está em prisão domiciliar devido a problemas de saúde. O ex-mandatário foi condenado a cumprir uma pena de 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, por tramar um golpe de Estado após perder o pleito presidencial de 2022.

Com restrições de comunicação, a articulação política passou a depender mais de interlocutores próximos, ampliando a influência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e intensificando disputas internas.

Conversas com Tarcísio e estratégia eleitoral

Flávio afirmou que não se articulava inicialmente para disputar a Presidência, mas passou a ser considerado candidato após conversas com o pai sobre o cenário eleitoral. “Eu nunca costurei meu nome, não rodei o Brasil. Meu foco sempre foi o Rio de Janeiro. As pesquisas diziam que eu tinha uma eleição tranquila”, declarou.

Segundo o senador, outros nomes foram avaliados, como Eduardo Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (republicanos), antes da definição. “Nesse contexto, Bolsonaro disse: ‘tem que ser você’”, relatou.

Flávio também afirmou que mantém diálogo frequente com Tarcísio e que discutiu estratégias ainda no fim do ano passado. “Fui conversar com o Tarcísio em dezembro e disse para ele que essa seria a estratégia. Falei que ele é muito mais preparado do que eu, tem experiência no Executivo, é governador de São Paulo. Mas disse também que, quando começasse essa hiperexposição, as pessoas conheceriam um Bolsonaro diferente”, afirmou.

Segundo ele, o governador paulista concordou com a avaliação e manifestou apoio. “Ele disse que eu tinha razão, que eu recuperaria espaço e seria vitorioso. Desde então, a conversa foi muito franca. Hoje almoçamos juntos e estamos preparando várias agendas em São Paulo”, concluiu.

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