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Fundo citado no caso Master investiu R$ 4,3 milhões em resort ligado a irmãos de Toffoli

Aporte foi feito por fundo administrado pela Reag, empresa mencionada na operação Carbono Oculto; ministro do STF relata inquérito que tramita em sigilo

Ministro do STF Dias Toffoli (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

247 – Um fundo de investimento administrado por uma empresa citada no caso Master aportou R$ 4,3 milhões para comprar ações do Tayayá Resort, empreendimento imobiliário no Paraná ligado a parentes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A informação foi revelada pelo Estado de S.Paulo e confirmada pela CNN Brasil, com base em registros de órgãos oficiais e dados públicos de cadastro empresarial e regulatório.

Aporte registrado na CVM e vínculo com familiares do ministro

O investimento foi realizado pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo registros da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de outubro de 2025.

De acordo com dados da Receita Federal citados na apuração, o Tayayá Resort já teve no quadro de sócios a Maridt Participações S.A., empresa pertencente a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro.

Toffoli é relator do inquérito relacionado ao caso, que corre em sigilo.

Reag, operação Carbono Oculto e conexões empresariais citadas

A Arleen é administrada pela Reag, empresa citada na operação Carbono Oculto sob suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, conforme relatado na mesma apuração.

Ainda segundo o texto-base, a Reag teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, companhia que já teve no quadro societário Mario Umberto Degani, apontado como primo de Toffoli.

A DGEP Empreendimentos, conforme descrito, apresenta o e-mail do Tayayá para contato e está registrada no mesmo endereço do resort, com CEP 86.410-000, de acordo com o cadastro na Receita Federal.

Procurados não responderam; Reag diz que não comenta

Procurada, a Reag informou que não vai comentar o caso.

A CNN Brasil também disse ter buscado posicionamento do gabinete do ministro Dias Toffoli, do Tayayá Resort, da DGEP e de outros citados na reportagem, mas que não houve retorno até a publicação.

Banco Central e TCU: operações sob questionamento no sistema financeiro

A reportagem também contextualiza a apuração a partir de um relatório encaminhado pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo esse documento, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag teriam estruturado operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com “falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez”.

Essas operações, ainda conforme o relatório mencionado, fariam parte de um conjunto de transações estruturadas que somam R$ 11,5 bilhões, incluindo fundos ligados à Reag. O Banco Central apontou ausência de garantias, falta de diversificação de ativos e inadequado gerenciamento de capital, além de registrar suspeita de que fundos tenham sido usados para “pulverizar recursos em nome de terceiros”.

Nota do Banco Master nega conexões e afirma colaboração

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, negou envolvimento com fraudes e qualquer relação do banco com os fundos citados. A íntegra da manifestação reproduzida na reportagem afirma:

“A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer envolvimento do Banco Master com supostas fraudes, fundos ilícitos ou operações mencionadas na reportagem. O texto estabelece conexões inexistentes entre o banco, seus executivos e investimentos realizados por fundos independentes administrados por terceiros. O Banco Master nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados. A defesa permanece colaborando integralmente com as autoridades e confia que o avanço das investigações restabelecerá a verdade dos fatos e afastará alegações que não encontram respaldo na realidade.”

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