HOME > Brasil

Lindbergh pede à PF investigação contra Flávio, Eduardo e Nikolas

Representação aponta discursos que incentivariam intervenção estrangeira e ataque à democracia

Lindbergh Farias (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

247 - O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT), apresentou um pedido formal à Polícia Federal para a abertura de inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). A iniciativa sustenta que os três atuaram de maneira articulada em ações e discursos considerados ofensivos à soberania nacional e ao Estado Democrático de Direito.

Na representação, Lindbergh argumenta que as condutas atribuídas aos parlamentares e ao ex-deputado podem configurar crimes como associação criminosa e atentados contra a ordem democrática. O documento afirma que haveria uma campanha sistemática para estimular, justificar e normalizar a ideia de uma intervenção militar estrangeira no Brasil com o objetivo de depor um governo legitimamente constituído.

De acordo com a petição, Flávio Bolsonaro teria questionado a legitimidade das eleições de 2026 e feito comparações com os ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki, sugerindo que o país deveria se submeter a interferência externa no processo eleitoral. O senador também teria defendido a aprovação de uma anistia e mencionado a possibilidade de uma intervenção militar estrangeira na Baía de Guanabara, sob o argumento de combate ao narcotráfico.

Ainda segundo o pedido encaminhado à Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro reforçou essa retórica ao especular sobre a chegada de “porta-aviões no Lago Paranoá”, em alusão a uma eventual ação militar externa em território brasileiro. Já Nikolas Ferreira, conforme descrito na representação, divulgou montagens visuais e publicações que retratariam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sendo preso por forças estrangeiras.

Para Lindbergh Farias, o conjunto dessas manifestações ultrapassa os limites da crítica política e se aproxima da incitação a atos incompatíveis com o regime democrático. “O que se observa é uma escalada discursiva que ultrapassa o campo da crítica política e passa a flertar com a incitação explícita à intervenção estrangeira, algo absolutamente incompatível com o regime democrático e com a soberania do Estado brasileiro”, afirma o deputado no documento.

A iniciativa do líder do PT soma-se a outra representação apresentada pela deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) à Procuradoria-Geral da República contra Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Na peça, a parlamentar acusa os dois de apologia ao crime de golpe de Estado, ao defenderem a submissão do Brasil à jurisdição penal estrangeira e a deposição do governo por meio de intervenção externa.

Erika Hilton sustenta que o uso recorrente de postagens, memes e associações visuais envolvendo autoridades estrangeiras e o presidente da República banaliza a ideia de interferência externa e pode induzir a população a aceitar a atuação de forças estrangeiras sobre instituições brasileiras, em afronta direta à Constituição.

Artigos Relacionados