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Pai de Daniel Vorcaro escreve a Mendonça, contesta prisão e diz: "Não sou bandido"

Empresário afirma que não foi ouvido no processo, nega irregularidades e relata ter passado mal na prisão

Henrique Vorcaro (Foto: Gerado por IA / REUTERS/Amanda Perobelli)
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247 - Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, enviou uma carta ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, na qual afirma que sua prisão decorre de "um total e absoluto equívoco". No texto, Henrique nega envolvimento em atividades criminosas e relata as condições em que está detido. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O documento tem oito páginas, foi elaborado no último dia 19 com auxílio da filha Natália e teria sido motivado pela insatisfação de Henrique por ainda não ter sido ouvido no processo. Preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), desde 14 de maio, após a sexta fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, Henrique afirma que passou mal dentro da cela no último dia 13.

Na carta, relata que ficou com o corpo "todo anestesiado", os "braços completamente dormentes" e sofreu "uma dor de cabeça enorme". "Fiquei apavorado, mas com a graça de Deus, orei e, depois de um tempo, passou. Na cadeia não tenho a menor estrutura; se tiver que sair às pressas, tem só uma UPA por perto que não conseguiria me salvar se tivesse um pico de pressão para baixo ou para cima, poderia ser fatal", escreveu.

Defesa e relação com investigados

Na investigação da Polícia Federal, Henrique Vorcaro é apontado como mandante do grupo conhecido como "A Turma", que, segundo os investigadores, teria atuado para intimidar adversários, obter informações sigilosas e coordenar ações em benefício do Banco Master. Também é citado como responsável por pagamentos e solicitações ao grupo denominado "Os Meninos", formado, de acordo com a apuração, por hackers que atuariam para retirar reportagens do ar e promover conteúdos favoráveis ao empresário.

Na carta, Henrique nega qualquer prática ilegal. Ele admite conhecer Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, há cerca de dez anos, relação que, segundo afirma, surgiu por intermédio do genro Fabiano Zettel, também preso na operação. O empresário relata que firmou com Mourão um contrato relacionado a um empreendimento imobiliário em Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro, mas sustenta que a parceria teve caráter exclusivamente comercial.

"Não conheço turma. Não sei o que fazem", afirmou. Em outro trecho da carta, acrescenta: "Não sou desonesto. Não faço coisas escusas. Ser honesto para mim não é só obrigação, é um prazer. Consegui com muito suor um patrimônio expressivo. Trabalho dia, tarde e noite, sempre. Não sou bandido. Não sou máfia."

Henrique também afirma que Mourão chegou a lhe entregar um telefone para conversas "sem estar grampeado", mas diz ter utilizado o aparelho apenas "umas três vezes". Segundo a carta, Sicário também ofereceu serviços para publicação de notícias favoráveis em sites e auxílio para obtenção de porte de arma, propostas que afirma não ter aceitado.

Patrimônio e movimentações financeiras

O documento aborda ainda outros pontos da investigação. Henrique reconhece que mantinha contrato de segurança com Manoel Mendes Rodrigues, apontado pela Polícia Federal como operador do jogo do bicho e líder de um grupo formado por milicianos e policiais no Rio de Janeiro. Ele afirma, porém, desconhecer qualquer atividade criminosa atribuída ao prestador de serviços.

"Se tivesse alguma coisa de errado com o Manolo, nunca ligaria para ele. Eu sabia que eu estava grampeado, não sou tão ingênuo. É só raciocinar", afirmou.

Na carta, o empresário também contesta informações sobre seu patrimônio. Classifica como "muito bizarro" a afirmação de que teria R$ 2 bilhões em contas e sustenta que a compra de uma mansão de 2.200 metros quadrados na região de Orlando, nos Estados Unidos, foi financiada com recursos provenientes da venda de uma empresa de saúde, além de financiamento e empréstimos.

Sobre o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou aproximadamente R$ 1 bilhão em movimentações consideradas atípicas por empresas ligadas à família, Henrique afirma que todas as operações foram declaradas à Receita Federal. Ele também nega ter inflado o patrimônio do Banco Master por meio de investimentos em fundos de créditos de carbono.

Ao final da carta, Henrique diz ser evangélico há 26 anos, afirma sustentar o pai de 94 anos há mais de três décadas e relata que a prisão afetou profundamente sua família. Também escreve que André Mendonça seria vítima de equívocos da investigação, embora reconheça que "o quadro geral (da investigação) seja bem forte".

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