Parlamentares bolsonaristas destinaram R$ 4,6 milhões a entidades ligadas à produtora de filme sobre Bolsonaro
Deputados enviaram verbas a entidades comandadas por produtora do filme "Dark Horse"
247 - Deputados federais destinaram ao menos R$ 4,6 milhões em emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro (PL). Segundo o UOL, os recursos foram direcionados ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e à Academia Nacional de Cultura (ANC), instituições controladas por Karina Ferreira da Gama, responsável também pela GoUp Entertainment, produtora do longa-metragem sobre Bolsonaro.
Emendas enviadas a entidades ligadas à produtora
Em 2025, o deputado Mário Frias (PL-SP) destinou R$ 2 milhões ao ICB. Segundo a reportagem, metade do valor seria usada em um programa de empreendedorismo. O restante foi reservado ao projeto “Lutando pela Vida”, voltado à oferta de aulas de jiu-jítsu em Pirassununga, no interior de São Paulo.
Já em 2024, deputados do PL enviaram R$ 2,6 milhões à ANC. Os recursos partiram de emendas parlamentares apresentadas por Bia Kicis (PL-DF), Marcos Pollon (PL-MS), Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Carla Zambelli (PL-SP).
O objetivo formal dos repasses seria a produção da série documental “Heróis Nacionais - filhos do Brasil que não se rende”, sobre a colonização do Brasil.
STF cobra explicações de parlamentares
Os repasses passaram a ser alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Flávio Dino solicitou esclarecimentos aos parlamentares após ação apresentada pela deputada Tábata Amaral (PSB-SP), que apontou suspeitas de que os recursos poderiam financiar o filme “Dark Horse”.
Parlamentares negam irregularidades.
Flávio Dino determinou a abertura de um procedimento separado para analisar o caso no âmbito da ADPF 854, ação que discute critérios de transparência, rastreabilidade e moralidade na execução de emendas parlamentares.
Além das verbas federais, deputados estaduais de São Paulo também destinaram recursos às mesmas entidades. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, Valéria Bolsonaro (PL), Lucas Bove (PL) e Luiz Fernando (PT) enviaram cerca de R$ 700 mil ao ICB para aquisição de equipamentos e projetos culturais e esportivos. O deputado estadual Gil Diniz (PL) também encaminhou emendas para apoiar a série documental produzida pela ANC.
Governo de São Paulo suspendeu repasses
O governo paulista informou que suspendeu o pagamento das emendas destinadas à ANC. Em nota, a Secretaria Estadual de Cultura afirmou que a execução dos recursos foi interrompida devido a “restrições técnicas e pendências documentais da entidade beneficiária”.
Enquanto isso, o STF enfrenta dificuldades para avançar nas notificações. Oficiais de Justiça tentam intimar Mario Frias desde o fim de março, mas não conseguiram encontrá-lo em seu gabinete na Câmara dos Deputados.
Deputados negam irregularidades
O deputado Marcos Pollon afirmou que pediu o cancelamento da emenda após a cobrança feita pelo STF. Segundo ele, a ANC não conseguiu comprovar os direitos autorais necessários para produzir a série documental. Pollon declarou ainda ter solicitado ao governo de São Paulo o redirecionamento dos recursos para um hospital em Barretos.
Bia Kicis também negou qualquer irregularidade. Em manifestação enviada ao STF em 21 de março, a deputada afirmou que “não existe qualquer conexão” entre a emenda parlamentar e o filme “Dark Horse”. Ela reiterou que os recursos foram destinados exclusivamente à série “Heróis Nacionais”.
A assessoria de Mário Frias declarou que todos os procedimentos seguiram a legislação vigente e apresentou documento da Câmara dos Deputados que atestaria a regularidade das emendas e dos planos de trabalho.
Karina Ferreira da Gama não respondeu aos contatos feitos pela reportagem do UOL. Alexandre Ramagem e Carla Zambelli também não se manifestaram.



