PF quer acionar Interpol para rastrear movimentação financeira de Vorcaro, incluindo repasses para filme Dark Horse
Polícia Federal quer mapear contas, bens e movimentações internacionais do dono do Banco Master
247 - A Polícia Federal (PF) avalia recorrer a um mecanismo da Interpol para ampliar o rastreamento de ativos e movimentações financeiras internacionais atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo o jornal O Globo, a corporação estuda solicitar a inclusão do empresário na chamada difusão prateada da Interpol, instrumento voltado à identificação e localização de bens relacionados a investigados em diferentes países.
A medida tem como objetivo aprofundar o mapeamento de recursos, contas bancárias e patrimônios mantidos fora do Brasil. Diferentemente da difusão vermelha, utilizada para localizar foragidos, a difusão prateada concentra-se na cooperação internacional para rastreamento patrimonial e financeiro.
Repasses ao fundo ligado ao filme Dark Horse entram na apuração
De acordo com a reportagem, uma eventual utilização do mecanismo poderá alcançar os R$ 61 milhões enviados por Vorcaro a um fundo sediado nos Estados Unidos. O aporte foi apresentado como forma de financiamento do documentário Dark Horse, produção que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Brasil e Estados Unidos integram atualmente o programa-piloto da Interpol destinado à implementação da difusão prateada. Caso a Polícia Federal formalize o pedido, será necessária autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), além da aceitação das autoridades estadunidenses. Até o momento, tentativas de bloqueio de bens vinculados a Vorcaro nos Estados Unidos têm ocorrido por meio de ações judiciais diretas naquele país.
PF busca identificar recursos mantidos fora do país
O rastreamento de ativos internacionais também faz parte das negociações de colaboração premiada conduzidas entre Vorcaro, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
Investigadores acreditam que o banqueiro ainda possa manter recursos no exterior que não foram totalmente identificados pelas autoridades. A expectativa é que eventuais valores localizados possam contribuir para ressarcir prejuízos decorrentes das fraudes bilionárias atribuídas ao Banco Master.
Em outra frente de investigação, a PF apontou que um operador ligado a Vorcaro mantinha uma empresa registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para custear viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (PP-PI) pela Europa, Estados Unidos e Caribe.
Nova investigação pode atingir fundo nos EUA
Nesta semana, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de uma nova investigação para apurar especificamente os repasses destinados ao financiamento do documentário Dark Horse. Os recursos foram enviados a um fundo estadunidense registrado em nome de um advogado ligado ao ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.
Uma das hipóteses analisadas pelos investigadores é a de que o dinheiro possa ter sido utilizado para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O parlamentar nega essa possibilidade. Como parte das diligências, a Polícia Federal também pretende solicitar a quebra do sigilo bancário do fundo envolvido nas operações.
STF e PGR vão definir caminho da investigação
A PF aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República e do Supremo Tribunal Federal para definir em qual procedimento a investigação deverá tramitar.
Uma das possibilidades é o inquérito que apura as supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, sob relatoria do ministro André Mendonça. Outra hipótese é a inclusão do tema na investigação que trata da atuação internacional de Eduardo Bolsonaro em iniciativas voltadas à imposição de sanções contra o Brasil, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em entrevista à GloboNews, Andrei Rodrigues afirmou que “agora precisamos aguardar a decisão jurídica e dar os passos seguintes.”
Pedido de Lindbergh Farias cita mecanismo da Interpol
No fim de maio, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) encaminhou pedido à direção da Polícia Federal e à Interpol solicitando medidas de cooperação internacional relacionadas ao financiamento do documentário.
O documento menciona a “possibilidade de emissão de Silver Notice, Silver Difusion, alerta, difusão ou instrumento equivalente da INTERPOL para preservação, localização e identificação de ativos, documentos e informações financeiras associados às pessoas físicas e jurídicas envolvidas, caso preenchidos os requisitos jurídicos e operacionais aplicáveis.”
A difusão prateada permite o compartilhamento de informações entre os países participantes do programa da Interpol. Caso ativos ou movimentações financeiras sejam identificados em território estrangeiro, as autoridades locais podem informar o país solicitante e colaborar com eventuais medidas de bloqueio ou confisco de bens.



