PF vê conclusão rápida de inquérito sobre fraudes no Banco Master
Investigação concentra relação Master-Tirreno-BRB e mira fraude de R$ 12,2 bilhões
247 - A Polícia Federal (PF) avalia que o inquérito que apura suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master pode ser concluído em um prazo curto. Segundo investigadores ouvidos pela Folha de São Paulo, a apuração já reuniu provas consideradas robustas, capazes de esclarecer a participação dos envolvidos no esquema que envolve a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília (BRB). De acordo com esses agentes, a conclusão dessa etapa depende basicamente da realização dos depoimentos finais dos investigados, previstos para o fim de janeiro e início de fevereiro.
Foco restrito acelera conclusão do inquérito
A estratégia adotada pela PF tem sido manter o inquérito concentrado em um escopo delimitado. O foco principal está na compra, pelo Banco Master, de carteiras de crédito atribuídas à empresa Tirreno e na tentativa posterior de revenda desses ativos ao BRB.
Para os investigadores, essa delimitação permite maior agilidade e evita que a apuração se torne excessivamente ampla. Internamente, os fatos analisados nessa frente são considerados de apuração objetiva, o que contribui para a expectativa de um desfecho rápido.
Esquema envolvia créditos inexistentes bilionários
Segundo a Polícia Federal, a investigação aponta que o esquema teria envolvido a fabricação de créditos inexistentes com o objetivo de inflar artificialmente a carteira do Banco Master antes da tentativa de repasse ao BRB. O volume de créditos considerados fraudulentos chega a R$ 12,2 bilhões. Foi com base nessa suspeita que a PF efetuou, em 17 de novembro, a prisão de Daniel Vorcaro, controlador do banco, além de outros executivos e sócios da instituição.
Prisões e depoimentos marcam fase decisiva
Também foram presos Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Master; Luiz Antônio Bull, diretor responsável por áreas como Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia; Alberto Felix de Oliveira Neto, superintendente executivo de Tesouraria; e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio do banco.
Lima, Bull e Silva foram intimados a depor entre os dias 26 e 28 de janeiro, no âmbito das investigações relacionadas à tentativa de venda ao BRB. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, igualmente investigado, prestará depoimento no mesmo período. Daniel Vorcaro deve ser ouvido no dia 27.
Tentativa de venda e suspeitas de fuga
Investigadores também afirmam ter reunido indícios de que Vorcaro pretendia deixar o país. Para a PF, o anúncio de uma negociação para a venda do Banco Master à empresa Fictor, divulgado poucas horas antes da prisão, teria sido uma simulação para desviar o foco das suspeitas.
O banqueiro foi preso em São Paulo quando se preparava para embarcar em um voo internacional, sob o argumento de que viajaria para fechar o negócio em Dubai. A defesa nega qualquer tentativa de fuga e sustenta que a viagem tinha como objetivo concluir a venda do banco.
Novas apurações seguem em segundo plano
Embora a Polícia Federal não descarte a abertura de novos inquéritos, a decisão atual é concentrar esforços na apuração das fraudes relacionadas à venda das carteiras de crédito. Outras frentes, como a atuação de influenciadores em ataques ao Banco Central e possíveis conexões políticas, seguem em procedimentos preliminares. Além disso, há investigações sigilosas em andamento tanto no Supremo Tribunal Federal (STF) quanto na primeira instância, relacionadas a outros aspectos da atuação do Banco Master.


