Randolfe Rodrigues descarta "caça às bruxas" após rejeição de Messias ao STF
Indicado para a Corte, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) obteve 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação no Senado
247 - O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta quinta-feira (30) que não haverá retaliação política após a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração ocorre um dia após o Senado rejeitar, pela primeira vez em 132 anos, um nome indicado pela Presidência da República para a Corte. As informações são do SBT News.
Randolfe rejeitou a possibilidade de reação baseada em retaliações e afirmou que o governo não adotará postura de confronto institucional. "A gente não vai fazer do resultado de ontem, de qualquer resultado, uma caça às bruxas. Assim não se faz política, assim não se constrói democracia. A atribuição de fazer indicação de ministro do Supremo Tribunal Federal cabe ao presidente da República, e a de aprovar e sabatinar cabe, da mesma forma, ao Senado. Não é de bom tom fazer caça às bruxas, procurar se houve traição. Isso não faz parte do jogo democrático", declarou.
Indicado para o STF, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, obteve 34 votos favoráveis, abaixo dos 41 necessários para aprovação no plenário. O resultado foi classificado como histórico no Congresso Nacional.
Próxima indicação ao STF
O senador afirmou que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um novo nome para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso. Ele também comentou o áudio atribuído ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que antecipou o resultado da votação ao afirmar "ele vai perder por oito".
"Eventual vazamento de áudio não tem nada de pecaminoso. Houve uma pergunta naquele momento do líder do governo no Senado e houve um palpite emitido pelo presidente do Senado. As pontes e o diálogo do governo com o presidente do Congresso nunca deixarão de existir", disse.
Ao comentar o desfecho da votação, o líder governista afirmou que derrotas fazem parte da dinâmica política e descartou qualquer reação mais dura por parte do Planalto. "O presidente Lula já governou esse país duas vezes; essa é a terceira vez que governa. Ele sempre teve vitórias e derrotas no Congresso Nacional. Nunca ficou fazendo 'beicinho' depois de derrota. A gente celebra as vitórias e aceita as derrotas. A gente não resolve as derrotas com ódio. Não é do time de cá tentar golpe de Estado depois que perde uma votação."
PL da Dosimetria
Randolfe também criticou a atuação da oposição ao comentar o projeto de lei da dosimetria, que trata das penas de condenados pelos atos de 8 de janeiro. "A oposição fez um PL para tentar liberar chefe de organização criminosa", afirmou.
O senador ainda respondeu a declarações atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria classificado a derrubada de veto presidencial como "presente" de aniversário. Randolfe rebateu com críticas. "Eu acho que ele tem que se preocupar com outras coisas. Ele tem que se preocupar com o caso 'Master', com problemas como o da rachadinha e tem que se preocupar se ele é candidato à Presidência e se vai ganhar a eleição", disse.


