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Relatório da PF cita mensagens sobre pagamentos ligados a empresa de Toffoli

Documento enviado ao presidente do STF aponta conversas entre Vorcaro e Fabiano Zettel sobre repasses à Maridt, que tem o ministro Dias Toffoli como sócio

Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Divulgação/Banco Master)

247 - Um relatório entregue pela Polícia Federal ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reúne mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, nas quais os dois discutem transferências financeiras relacionadas à empresa Maridt, que tem entre seus sócios o ministro Dias Toffoli. As conversas mencionariam diretamente o nome do magistrado e tratariam de pagamentos associados à compra de um resort no qual a Maridt mantinha participação, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

O relatório aponta que Vorcaro e Zettel teriam combinado repasses que seriam referentes à compra de um resort do qual a Maridt era sócia. O documento também registra menções a pagamentos recentes feitos em 2025, ano em que, segundo o relatório, o negócio teria sido concluído. Zettel, casado com Natália Vorcaro —irmã do banqueiro— chegou a ser detido pela PF e, conforme descrito no material, atuava como uma espécie de gerente financeiro do cunhado.

Ainda segundo pessoas com acesso ao relatório, também há registros de mensagens trocadas entre Toffoli e Vorcaro. Nessas conversas, porém, os dois não tratariam de recursos ou negócios, mas apenas combinariam encontros. O relatório também cita referências a festas e confraternizações, com convites dirigidos a outras autoridades que não fazem parte do STF.

O conteúdo do documento foi compartilhado por Fachin com outros ministros da Corte. A Polícia Federal sustenta que Dias Toffoli seria suspeito para continuar na relatoria do processo que envolve o banco Master, ligado ao grupo controlado por Vorcaro. Fachin, conforme descrito no relatório, já notificou o ministro para que ele apresente explicações sobre os fatos mencionados.

Toffoli já havia admitido recebimento de valores

Toffoli admitiu a interlocutores do STF ter recebido recursos da Maridt quando a empresa vendeu sua participação no resort Tayayá, em 2021, para um fundo associado à estrutura empresarial de Daniel Vorcaro. Segundo ele, o repasse ocorreu porque era sócio da companhia junto a familiares.

Essa foi a primeira vez que o ministro detalhou publicamente seu vínculo com o resort e com a empresa familiar. A explicação teria sido apresentada após a Polícia Federal informar ao Supremo que passou a investigar transferências de recursos para o magistrado.

De acordo com o relato atribuído a Toffoli, ele é sócio há vários anos da Maridt, descrita como uma empresa tipicamente familiar. Apesar disso, seu nome não aparece em documentos públicos porque a companhia seria uma “Sociedade Anônima de livro”, modalidade em que os nomes dos acionistas não ficam acessíveis a terceiros, diferentemente do que ocorre em empresas de capital aberto.

Por esse motivo, apenas dois irmãos do ministro aparecem formalmente, já que são administradores da empresa.

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