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Renan Filho deixa Ministério dos Transportes no final de março

Secretário-executivo George Santoro deve assumir a pasta e tocar projetos ferroviários bilionários

Renan Filho e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - O ministro dos Transportes, Renan Filho, deve deixar o comando da pasta no fim de março para reassumir sua cadeira no Senado pelo MDB de Alagoas. A saída ocorre no contexto de articulações políticas para disputar o governo do estado nas próximas eleições. De acordo com a coluna Brasília Hoje, da Folha de São Paulo, a mudança ainda não foi formalmente oficializada, mas a decisão já estaria definida dentro do ministério.

Santoro deve assumir o comando do ministério

Com a saída de Renan Filho, o atual secretário-executivo da pasta, George Santoro, deve assumir o comando do Ministério dos Transportes a partir de abril. Considerado o principal auxiliar do ministro, Santoro já atua na coordenação das políticas de infraestrutura de transporte voltadas a rodovias e ferrovias.

O secretário-executivo também chegou a chefiar o ministério interinamente em ocasiões nas quais Renan Filho esteve em viagens oficiais. A mudança na estrutura da pasta pode levar à nomeação de Adrualdo de Lima Catão para a secretaria-executiva. Atualmente, ele ocupa o cargo de secretário nacional de trânsito do Ministério dos Transportes.

Perfil do provável novo ministro

Antes de chegar ao governo federal, George Santoro foi secretário da Fazenda de Alagoas por cerca de oito anos durante a gestão de Renan Filho no governo estadual. No período, também presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional dos Secretários de Fazenda dos Estados). No Rio de Janeiro, Santoro atuou como auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Município e também exerceu o cargo de subsecretário da Fazenda do Estado.

Plano de concessões ferroviárias bilionárias

Entre os principais desafios da pasta em 2026 está o avanço de projetos de concessão ferroviária. O ministério possui atualmente uma carteira de oito projetos que, somados, podem ultrapassar R$ 600 bilhões em investimentos.

A primeira iniciativa prevista é o chamado corredor Minas-Rio, uma malha ferroviária já existente, com cerca de 740 quilômetros de extensão. O trecho conecta as cidades mineiras de Arcos, Lavras e Varginha aos municípios fluminenses de Barra Mansa e Angra dos Reis.

Hoje integrado à malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), o corredor deverá ser o primeiro projeto oferecido no modelo de autorização para exploração ferroviária pela iniciativa privada.

Principais projetos previstos para 2026

Outro projeto relevante é o Anel Ferroviário Sudeste (EF-118), cujo edital deve ser publicado ainda neste mês e o leilão está previsto para junho. A ferrovia terá 245,95 quilômetros em sua fase obrigatória, ligando São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, a Santa Leopoldina, no Espírito Santo.

O empreendimento também prevê uma etapa adicional entre Nova Iguaçu e São João da Barra, que poderá ser ativada posteriormente pelo governo federal. O investimento estimado é de R$ 6,6 bilhões, com capacidade de movimentar até 24 milhões de toneladas por ano.

Na sequência do cronograma aparece a concessão da Ferrovia Malha Oeste, cujo edital está previsto para abril de 2026 e o leilão deve ocorrer em julho. O trecho possui 1.593 quilômetros de extensão e conecta Corumbá, em Mato Grosso do Sul, ao município paulista de Mairinque.

Outro projeto estratégico é o Corredor Leste–Oeste (Fico-Fiol), com edital previsto para maio e leilão em agosto. A concessão totaliza 1.647 quilômetros, entre Caetité, na Bahia, e Água Boa, em Mato Grosso.

Com investimento estimado em R$ 41,85 bilhões, o corredor logístico deve integrar áreas produtoras do Centro-Oeste ao oeste baiano e ao Porto Sul, em Ilhéus. A ferrovia terá papel central no escoamento de soja, milho, outros grãos e granéis líquidos no país.

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