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ANJL notifica DataFolha por pesquisa imprecisa sobre mercado de apostas no Brasil

Associação Nacional de Jogos e Loterias pede transparência em estudo que associa apostas ao endividamento no Brasil

Apostas esportivas (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

247 - A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) notificou o Instituto DataFolha e solicitou esclarecimentos sobre os critérios técnicos e a metodologia de uma pesquisa que associa apostas ao endividamento no Brasil, em meio ao cenário eleitoral. A entidade afirma que o levantamento pode induzir a interpretações distorcidas e comprometer a compreensão da população sobre o setor.

Segundo a ANJL, a preocupação central está na forma como as bets foram inseridas no estudo, sem distinção entre operadores legais e ilegais. A associação avalia que essa ausência pode gerar generalizações inadequadas e conclusões imprecisas.

Críticas à metodologia e à falta de distinção

A entidade destaca que cerca de metade do mercado de apostas no Brasil é operada por sites clandestinos, o que, na sua avaliação, torna essencial a diferenciação entre plataformas regularizadas e ilegais. Sem essa separação, a percepção do público sobre o setor pode ser distorcida.

Outro ponto levantado é a forma como as perguntas teriam sido formuladas, conforme informações já ivulgadas pela imprensa, o que, segundo a ANJL, contribui para associações indevidas.

Comparação com crédito gera controvérsia

A associação também critica a inclusão das apostas ao lado de modalidades de crédito, como financiamento imobiliário, cartão de crédito e crédito consignado. Para a entidade, essa equiparação altera a natureza das bets, classificadas como entretenimento, e induz a uma leitura equivocada dos dados.

Além disso, a ANJL aponta que, embora pesquisas por amostragem sejam comuns, a apresentação dos resultados pode transmitir a ideia de abrangência quase total da população, o que não corresponderia à realidade do setor.

Dados do Ministério da Fazenda citados pela entidade indicam que há cerca de 28 milhões de CPFs cadastrados em sites legalizados, o equivalente a aproximadamente 12% da população brasileira.

Possível impacto no cenário eleitoral

“Os operadores de apostas não estão questionando o papel do DataFolha e nem de qualquer outro instituto de pesquisa. O que o setor está pedindo é uma divulgação isenta, sem distorções e sem equiparações que não fazem sentido, como o das apostas com empréstimos bancários”, afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL.

Ao formalizar a notificação extrajudicial, a associação afirma que busca reforçar a responsabilidade dos institutos de pesquisa na divulgação de dados com transparência. Segundo a entidade, resultados apresentados sem os devidos critérios podem influenciar a percepção pública e impactar o ambiente eleitoral e o processo democrático no país.

Lançada em março de 2023, a ANJL reúne empresas do setor e atua na defesa do jogo responsável, da segurança nas apostas e da contribuição econômica da atividade no Brasil.

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