HOME > Economia

Banco Central e Fed definem juros em meio à escalada de tensão no Irã

Alta do petróleo e risco inflacionário influenciam expectativas do mercado

Logo do Banco Central na sede da instituição em Brasília (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciam nesta quarta-feira (18) suas decisões sobre taxas de juros em um cenário de elevada incerteza econômica global, marcado pela intensificação da guerra no Irã e seus impactos sobre os preços do petróleo e a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano, enquanto os juros norte-americanos permanecem na faixa entre 3,5% e 3,75%. As definições são aguardadas para o fim da tarde, informa a Folha de São Paulo.

Na reunião anterior, realizada em janeiro, tanto o Copom (Comitê de Política Monetária) quanto o Fed optaram por manter suas taxas inalteradas. Agora, o ambiente é mais instável, com divergências entre analistas sobre os próximos passos, especialmente no Brasil. Levantamento da Bloomberg com 30 economistas aponta que 19 esperam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto outros dez projetam uma redução de 0,5 ponto. Apenas uma instituição prevê a manutenção da taxa no patamar atual. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, predominava a expectativa de um corte mais robusto, de 0,5 ponto percentual. No entanto, a disparada do petróleo — que superou os US$ 100 desde a última quinta-feira (12) — trouxe novas preocupações inflacionárias, alterando o cenário para as decisões de política monetária.

No Brasil, a semana também foi marcada por uma atuação expressiva do Tesouro Nacional no mercado de títulos públicos. Em dois dias, o órgão realizou intervenções que somaram R$ 43,6 bilhões, na maior operação do tipo em mais de uma década. O objetivo é conter a volatilidade nas taxas de juros futuras, que influenciam diretamente as expectativas sobre a trajetória da Selic.

A iniciativa chamou a atenção do mercado por ocorrer justamente na semana de definição dos juros. Tradicionalmente, o Tesouro evita atuar nesse período para não gerar a percepção de interferência nas expectativas. Isso porque a recompra de títulos tende a reduzir a pressão sobre as taxas, podendo influenciar a leitura do mercado sobre o espaço para cortes de juros.

A curva de juros, que reflete as expectativas dos investidores, é um dos principais indicadores acompanhados pelo Banco Central. Taxas mais elevadas sugerem menor margem para redução da Selic, o que pode contrariar o interesse do governo em um cenário de estímulo econômico.

Nos Estados Unidos, a expectativa é praticamente unânime pela manutenção dos juros nesta quarta-feira. Segundo a ferramenta FedWatch, a probabilidade de estabilidade é de 99,2%. Ainda assim, o cenário político adiciona tensão às decisões. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem pressionado a condução da política monetária sob a liderança de Jerome Powell. Seu indicado, Kevin Warsh, ainda aguarda sabatina no Senado e pode assumir o comando do Fed em maio.

No caso brasileiro, algumas instituições revisaram suas projeções diante do novo contexto internacional. A XP, por exemplo, passou a prever a manutenção da Selic em 15%, indicando uma postura mais cautelosa por parte do Copom. Em nota assinada pelo economista-chefe Caio Megale, a instituição afirmou que “o fluxo de dados e notícias desde a última reunião do Copom piorou o cenário para a inflação”.

Artigos Relacionados