Brasil registra alta na confiança nas instituições, destaca ministro da CGU
Pesquisa da OCDE aponta avanço de 12 pontos na confiança no governo entre 2022 e 2025, enquanto CGU reforça auditorias e combate a fraudes
247 - O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, afirmou que o governo federal vem ampliando mecanismos de fiscalização e transparência para dificultar fraudes e desvios de recursos públicos. Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, ele destacou que a atuação da CGU tem sido central para enfrentar grandes esquemas de irregularidades e fortalecer a confiança da população nas instituições.
Vinícius de Carvalho apresentou dados de uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que apontam aumento significativo na confiança dos brasileiros nas instituições públicas entre 2022 e 2025. Segundo o levantamento, a confiança no governo brasileiro subiu 12 pontos percentuais, alcançando 38%, o maior crescimento registrado entre países da América Latina e do Caribe no período.
O ministro também detalhou que, em três anos, o país saiu de um patamar próximo ou inferior à média regional para superar a média latino-americana em diversos indicadores de confiança institucional. Entre os dados citados, ele destacou avanços na percepção da população sobre serviços públicos essenciais.
“A satisfação com o sistema de saúde passou de 32% para 40%; com o sistema de educação, de 29,7% para 55%; com os serviços administrativos, 31,8% para 55%. Percepção de que o pedido de benefício seria tratado com justiça, 19% para 48%; de que um funcionário público recusaria suborno, 20% para 40%. E por fim, confiança na própria capacidade de participar da política, de 34,8% para 42%”, listou o ministro.
Confiança no sistema eleitoral cresce e supera média regional
Entre os destaques do estudo, o Brasil aparece em 2025 como o país com maior nível de confiança no sistema eleitoral em toda a América Latina, com índice de 48%, nove pontos acima da média regional. A confiança no serviço público chegou a 42%, dez pontos acima da média latino-americana.
Para Vinícius de Carvalho, esses números refletem um ambiente político e institucional mais favorável à participação cidadã e à melhoria das políticas públicas.
“A reconquista da democracia é o que permite, por exemplo, que as pessoas confiem mais na capacidade de participar da política. É um ponto relevante elas confiarem mais no governo federal. Outro ponto digno de nota é o fato de que os serviços e as políticas públicas vêm melhorando”, acrescentou.
CGU amplia auditorias e reforça ações anticorrupção
Outro tema central da entrevista foi a intensificação das medidas de controle e combate à corrupção. O ministro apontou que a CGU ampliou de forma expressiva o volume de auditorias e relatórios produzidos.
Em 2025, foram publicados 628 relatórios, um aumento de aproximadamente 40% em relação a 2022, quando foram divulgados 381. No ano passado, a CGU fiscalizou a aplicação de recursos federais em 404 entes federativos, crescimento de 167% em comparação com 2022.
Vinícius de Carvalho afirmou que o debate internacional sobre corrupção tem se concentrado menos na existência do problema e mais nas ações concretas adotadas para enfrentá-lo.
“O que normalmente o mundo hoje tem discutido sobre o tema da corrupção não é se há ou não há corrupção, é o que o governo faz, o que as autoridades fazem para enfrentar a corrupção e para melhorar as instituições”, destacou.
Ele também mencionou como indicador relevante o aumento da percepção de que servidores públicos recusariam suborno, passando de 20% para 40%, segundo a pesquisa.
“É um governo que, de fato, não deixa as coisas debaixo do tapete, coloca luz nos problemas, dá liberdade para que Polícia Federal, CGU, Receita Federal e todos os órgãos de controle façam o trabalho de maneira coordenada”, pontuou.
Auditorias geram benefícios financeiros acima de R$ 40 bilhões
O ministro informou que as auditorias realizadas pela CGU resultaram em mais de R$ 40 bilhões em benefícios financeiros. O valor representa crescimento de cerca de 25% em relação a 2021 (R$ 32,2 bilhões) e mais que o dobro do registrado em 2022 (R$ 19,6 bilhões).
Ele também destacou a economia obtida em processos de licitação pública ao longo do atual governo.
“Nos três anos do governo do presidente Lula, deixamos de gastar em licitações públicas mais de R$ 3 bilhões em três anos. É um trabalho que temos aperfeiçoado porque é um caminho muito necessário e imprescindível para que consigamos ter mais integridade nas agendas de contrato e de editais”, explicou.
Fraudes no INSS entram no foco de atuação coordenada
Ao comentar o caso de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, o ministro afirmou que o governo vem atuando de forma coordenada para responsabilizar entidades envolvidas e bloquear recursos.
“Nós estamos enfrentando os grandes esquemas de fraudes no Brasil. E é importante falar isso, porque estamos dificultando a vida de quem atua na relação com o Estado de maneira fraudulenta. Este é o nosso objetivo e tem sido o compromisso do governo do presidente Lula”, declarou.
Caso Banco Master e aplicação da Lei Anticorrupção
Vinícius de Carvalho também falou sobre o caso do Banco Master, que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no âmbito de investigações da Polícia Federal. Ele explicou que, caso sejam identificados servidores federais envolvidos em atos ilícitos, a CGU pode instaurar processos administrativos e aplicar sanções.
“Se houver servidores públicos federais envolvidos em qualquer tipo de ato de corrupção, tanto do Banco Central como de ministérios ou estatais, a CGU tem a função de processar e até condenar e avocar os casos. Outra função é a CGU aplicar a Lei Anticorrupção, que envolve multas e outras punições para pessoas jurídicas, empresas, associações e entidades”, explicou.
Ele acrescentou que a CGU também pode abrir processo contra empresas caso surjam indícios de pagamento de propina ou fraude em fiscalização.
“Se, nesse caso do Banco Master, também se identificar qualquer indício de que o banco, por exemplo, pagou propina para alguém, para algum servidor público federal, corrompeu alguém, fraudou processo de fiscalização – algo que o Banco Central também já pune —, nós podemos abrir um processo pela Lei Anticorrupção também”, completou.
Auditorias sobre emendas parlamentares e rastreabilidade
Outro ponto abordado na entrevista foi a fiscalização de recursos federais repassados a estados e municípios, incluindo valores oriundos de emendas parlamentares. O ministro informou que a CGU realizou 70 auditorias no ano passado sobre a aplicação desses recursos.
Segundo ele, a iniciativa está ligada à discussão sobre transparência e rastreabilidade conduzida pelo Supremo Tribunal Federal, que solicitou auditorias sobre o tema.
“É importante dizer que não se trata de preocupação específica com emendas. É a alocação de recursos federais nos municípios e estados. Há uma discussão sobre a rastreabilidade, a transparência, a efetividade da alocação via emendas parlamentares, que o Supremo está fazendo, e pediu que fizéssemos auditorias a respeito”, detalhou.
O ministro afirmou ainda que algumas auditorias identificaram situações que exigiram aprofundamento investigativo.
“Em algumas das situações, identificaram problemas que mereciam um aprofundamento da investigação que pudessem redundar em operações”, finalizou.


