Custos do transporte de petróleo disparam após agressões ao Irã e ameaça no Estreito de Ormuz
Conflito entre EUA e Irã eleva fretes marítimos a níveis recordes e pressiona preços globais de petróleo e gás natural
247 - Os custos globais de transporte de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) registraram forte alta nesta semana, impulsionados pelas agressões de Estados Unidos e Israel contra o Irã e pela ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o abastecimento energético mundial, segundo a agência Reuters. A tensão aumentou após ataques atribuídos a Teerã contra embarcações que transitavam pela região.
O tráfego marítimo no estreito — localizado entre Irã e Omã e responsável por cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo, além de grandes volumes de GNL — foi praticamente interrompido depois que navios foram atingidos em meio à retaliação iraniana a ofensivas dos Estados Unidos e de Israel.
A intensificação do confronto provocou reações imediatas no mercado internacional. Os contratos futuros do petróleo Brent acumulam alta próxima de 10% nesta semana, refletindo paralisações em instalações de petróleo e gás no Oriente Médio. O temor de uma interrupção prolongada na passagem pelo Estreito de Ormuz ampliou a volatilidade e pressionou também os preços do gás natural na Europa.
No transporte marítimo, os impactos foram ainda mais evidentes. A taxa de referência para navios do tipo VLCC (Very Large Crude Carrier), capazes de transportar até 2 milhões de barris de petróleo do Oriente Médio para a China, atingiu o maior nível já registrado. Segundo dados da LSEG citados pela Reuters, o índice TD3 chegou a W419 na segunda-feira, o equivalente a US$ 423.736 por dia. O valor representa o dobro do observado na sexta-feira anterior e amplia os ganhos após uma máxima de seis anos registrada na semana passada.
A disparada ocorre após ofensivas dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no sábado, que resultaram na morte do aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, o Irã atacou países do Golfo, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em diversos pontos da região.
A imprensa iraniana informou que um alto oficial da Guarda Revolucionária declarou que o Estreito de Ormuz estava fechado e que o Irã abriria fogo contra qualquer embarcação que tentasse atravessá-lo.
Fretes de GNL sobem mais de 40%
O mercado de gás natural liquefeito também foi fortemente afetado. As tarifas diárias de transporte de GNL saltaram mais de 40% na segunda-feira, após o Catar suspender sua produção. Dados da consultoria Spark Commodities indicam que as taxas no Atlântico subiram 43%, alcançando US$ 61.500 por dia — aumento de US$ 18.750 em relação à sexta-feira. No Pacífico, a alta foi de 45%, com as tarifas atingindo US$ 41.000 por dia.
Fraser Carson, principal analista global de GNL da Wood Mackenzie, afirmou que as taxas spot diárias podem ultrapassar US$ 100 mil ainda nesta semana devido à oferta restrita de embarcações. Segundo ele, "A disponibilidade de navios para o restante de março é considerada fraca, à medida que operadores tentam lidar com o acúmulo gerado por interrupções climáticas em fevereiro". Carson acrescentou: "Haverá competição muito forte por qualquer embarcação disponível".
Ele também destacou que, enquanto não houver garantia de passagem segura pelo Estreito de Ormuz, as operações de transporte devem permanecer paralisadas.
Um corretor de petróleo ouvido pela Reuters, que preferiu não se identificar por política da empresa, relatou que está "muito difícil" avaliar as taxas de frete no Golfo, já que vários armadores suspenderam as operações por tempo indeterminado.
No porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — um dos principais centros de abastecimento marítimo da região — as vendas de combustível desaceleraram, afetadas pelas interrupções no fornecimento. O movimento elevou os preços locais e pode redirecionar a demanda para outros portos, como Singapura.
A empresa sul-coreana Hyundai Glovis informou que está elaborando planos de contingência, incluindo a busca por rotas e portos alternativos. Já o Ministério dos Oceanos e Pesca da Coreia do Sul emitiu comunicado recomendando que companhias marítimas do país evitem operações comerciais no Oriente Médio enquanto persistirem os riscos.


