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Em alta, Latam traz assembleia geral da IATA ao Brasil após 27 anos

Com crescimento ano a ano, empresa é anfitriã de reunião que faz do país o principal ponto de debates e decisões das maiores companhias aéreas mundiais

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil (à esq.) e Roberto Calvo, CEO da Latam Aitlines Group (Foto: Marco Damiani)
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Por Marco Damiani, especial para o 247 - Neste sábado (6), e nos próximos dois dias, o Brasil assume a posição de maior hub do mundo no estratégico setor da aviação global. Tendo a Latam Airlines Group como anfitriã e organizadora, a IATA - International Air Transport Association - realiza no Rio de Janeiro a sua 82ª Assembleia Geral Anual (AGM, na sigla em inglês), fazendo do país o ponto central de debates e decisões das principais companhias aéreas do mundo. A última reunião da IATA no país aconteceu em 1999, o que destaca a relevância do evento.

A assembleia geral das áreas globais, entre o domingo (7) e a segunda-feira (8), realiza-se em um período de alta complexidade para as companhias. As empresas do setor têm sido impactadas diretamente pela disparada nos preços dos combustíveis em razão de eventos como a guerra entre Estados Unidos e Irã e seus reflexos na economia global.

"Neste momento, percebemos que ter um balanço positivo e equilibrado, como o nosso, é uma vantagem competitiva importante", assinalou o CEO da Latam Airlines Group, Roberto Calvo, em uma concorrida entrevista coletiva concedida ao lado do CEO da Latam Brazil, Jerome Cadier. "Temos menor exposição no tráfego aéreo em relação ao aumento dos preços do combustível de aviação. Somos hoje a companhia aérea mais sustentável de todo o hemisfério ocidental e a quinta mais sustentável do mundo", sublinhou Calvo.

Ao fazer votos de que a paz seja estabelecida no Oriente Médio, principal região petrolífera do mundo, o CEO global da Latam manifestou que o setor aéreo não trabalha com a hipótese de uma queda rápida nos preços do produto. "O aumento de preços foi muito abrupto e muito elevado. Se a guerra acabar hoje, esses preços não voltarão tão rapidamente aos patamares anteriores. Estamos preparados para esta situação", disse Calvo.

Um bilhete emitido a cada 4 segundos

Com um bilhete aéreo emitido a cada quatro segundos, a Latam tem provado que a fusão estratégica entre a brasileira TAM e a chilena Lan, concluída em 2012, é um sucesso em todas as rotas. Hoje com 42 mil colaboradores diretos, a companhia transportou, em todo o mundo, 87,4 milhões de passageiros no ano passado, com performance 6,6% superior à do ano anterior. Desse total, 38,8 milhões foram passageiros do mercado doméstico brasileiro.

No mês de abril, as aeronaves da empresa receberam 6,9 milhões de passageiros, alta de 2,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nada menos que 30% do tráfego aéreo da América do Sul para o mundo está sob a responsabilidade da companhia, que chega a 27 países e 161 destinos em mais de 1,6 mil voos diários.

"Dentro do contexto global, a Latam tem apresentado números muito bons", destacou o CEO da Latam Brazil, Jerome Cadier. "Estamos finalizando planos para os nossos destinos dentro do Brasil. Hoje, voamos para 62 cidades, com 50 aeronaves em operação aqui dentro. Iremos receber mais dois novos jatos e vamos usá-los da melhor maneira para ampliar as conexões da nossa rede", completou. O executivo exaltou as encomendas feitas pela companhia junto à Embraer, anunciadas em setembro do ano passado.

Parceria intensa com a Embraer

O acordo comercial prevê a entrega, a partir do segundo semestre, de 24 modelos E195-E2, avaliados em US$ 2,1 bilhões, e opção de compra de outros 50 aparelhos da mesma classe. "São muito flexíveis, com capacidade para abrir o nosso leque de destinos", pontuou Cadier. "Nossa parceria com a Embraer é bastante intensa."

Com um desempenho em linha com as melhores expectativas, os dois principais executivos da Latam acreditam que, no Brasil, políticas públicas de incentivo ao transporte aéreo irão levar o mercado nacional a novos saltos de crescimento. "O Brasil tem 0,5 passageiro de avião a cada 5 habitantes, o que é um quinto do índice dos países desenvolvidos", lembrou Roberto Calvo.

"O potencial de crescimento é muito grande." Das 200 cidades da América do Sul, entre 200 mil e 500 mil habitantes, beneficiadas por voos comerciais, 100 estão no Brasil. "As grandes cidades da nossa região estão muito bem conectadas, mas há muitas cidades menores não tão bem conectadas", ressalvou Calvo. "Por isso, queremos aumentar a capilaridade da nossa rede e prosseguir operando na conectividade da região", projetou.

A entrevista dos líderes da Latam lotou o auditório de mais de cem lugares reservado para o contato com os jornalistas, em um hotel cinco estrelas situado na Barra da Tijuca. Profissionais de diferentes países da região fizeram perguntas ligadas à atuação local da Latam. O forte interesse é explicado pela presença da própria companhia em todos os países do subcontinente. "A América do Sul é a nossa casa", resumiu o CEO global da companhia.

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