HOME > Economia

Governo quer ampliar mistura de etanol na gasolina para 32% no 1º semestre, diz Silveira

Estratégia do governo visa diminuir importações e conter impacto da alta internacional dos preços

Alexandre Silveira (Foto: Tauan Alencar via MME)

247 - O governo federal pretende elevar a mistura de etanol na gasolina para 32% ainda no primeiro semestre, como parte de uma estratégia para reduzir importações e conter os efeitos da alta internacional dos combustíveis sobre o mercado interno. Segundo a Folha de São Paulo, a informação foi divulgada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, nesta quarta-feira (8), durante evento no Rio de Janeiro. Atualmente, o percentual de etanol na gasolina está em 30%.

Estratégia de independência energética

Segundo o ministro, a decisão está alinhada a um movimento global de busca por maior autonomia energética, impulsionado por tensões geopolíticas recentes. “O mundo vai sair [da guerra no Irã] com a estratégia de buscar independência. O Brasil sai na frente, porque já avançou muito nos biocombustíveis”, afirmou Silveira.

Hoje, cerca de 15% da gasolina consumida no Brasil é importada. Com a escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel, o preço internacional do combustível subiu 65%, de acordo com estimativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP).

Impacto nos preços e no consumo

A elevação dos preços internacionais já tem reflexos no país. Dados da ANP indicam que o preço médio da gasolina nos postos brasileiros subiu 8% desde a semana anterior ao início dos ataques no Oriente Médio. Diante desse cenário, o aumento da participação do etanol surge como alternativa para reduzir a pressão sobre os preços e diminuir a dependência externa.

Foco também em diesel e gás de cozinha

O governo também pretende avançar na redução da dependência de diesel, que atualmente representa cerca de 30% do consumo nacional, e de gás liquefeito de petróleo (GLP), com cerca de 15% de importação.

“Há uma clara estratégia do presidente Lula para que a gente saia da dependência de diesel e gasolina”, disse o ministro. Entre as medidas previstas está a conclusão de obras no Complexo Boaventura, em Itaboraí (RJ), voltadas à ampliação da produção nacional de energia.

Críticas à política de preços

Silveira também questionou a adoção de referências internacionais para definição de preços internos, especialmente no caso da gasolina. “A Petrobras tem que entender que ela é do povo brasileiro”, declarou.

Segundo ele, a lógica de preços internacionais deveria ser aplicada apenas à parcela importada, como ocorre no diesel e no GLP. Atualmente, a Petrobras não utiliza mais a paridade internacional como principal critério, embora ainda acompanhe as tendências do mercado externo.

Artigos Relacionados