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Guerra desnecessária provocada por Trump e Netanyahu causou prejuízo de US$ 50 bilhões no mercado de petróleo

Conflito retirou mais de 500 milhões de barris do mercado global

Miniaturasmodelos impressos em 3D de bombas de petróleo, bandeira do Irã e gráfico de alta da bolsa (Foto: Dado Ruvic/Reuters)

247 – A guerra contra o Irã já provocou a perda de mais de US$ 50 bilhões em petróleo que deixou de ser produzido desde o início do conflito, há cerca de 50 dias, gerando um choque sem precedentes na oferta global de energia. A crise, que teve início no fim de fevereiro, expõe os custos econômicos de uma escalada militar que atinge diretamente o abastecimento mundial.

Segundo reportagem da Reuters, publicada em 17 de abril, mais de 500 milhões de barris de petróleo e condensado foram retirados do mercado global desde o início da guerra, com base em dados da consultoria Kpler. Trata-se da maior interrupção de oferta energética da história moderna, com efeitos que devem se estender por meses — e possivelmente anos.

Apesar de sinais diplomáticos recentes, o cenário segue incerto. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto após um acordo de cessar-fogo firmado no Líbano. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou acreditar que um acordo para encerrar o conflito virá “soon”, embora sem indicar prazo concreto.

Impacto global e colapso na oferta

Os efeitos da guerra foram imediatos e severos. Países árabes do Golfo perderam cerca de 8 milhões de barris por dia de produção em março, volume equivalente à produção combinada das gigantes Exxon Mobil e Chevron. Esse colapso comprometeu cadeias inteiras de fornecimento e pressionou os preços internacionais.

As exportações de combustível de aviação também despencaram. Dados da Kpler mostram que os embarques de países como Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Omã caíram de 19,6 milhões de barris em fevereiro para apenas 4,1 milhões em março e abril somados. O volume perdido seria suficiente para cerca de 20 mil voos de ida e volta entre Nova York e Londres, evidenciando o impacto direto sobre a aviação internacional.

Com o petróleo sendo negociado em torno de US$ 100 por barril durante o conflito, a perda acumulada já alcança cerca de US$ 50 bilhões, segundo Johannes Rauball, analista da Kpler. Esse valor equivale a aproximadamente 1% do PIB anual da Alemanha ou à economia inteira de países menores como Letônia ou Estônia.

Escassez e efeitos sistêmicos

A dimensão do choque energético pode ser compreendida por comparações feitas por analistas. Os 500 milhões de barris retirados do mercado equivalem a:

  •  10 semanas de consumo global da aviação 
  •  11 dias sem transporte rodoviário em todo o planeta 
  •  5 dias sem qualquer fornecimento de petróleo para a economia global 

Também correspondem a quase um mês de consumo dos Estados Unidos ou mais de um mês de demanda total da Europa.

Além disso, o volume perdido representa cerca de seis anos de consumo de combustível das forças armadas norte-americanas e energia suficiente para manter o transporte marítimo global por aproximadamente quatro meses.

Recuperação lenta e danos estruturais

Mesmo com a reabertura do Estreito de Ormuz, a normalização da produção e do fluxo energético deve ser lenta. Estoques globais de petróleo em terra já caíram cerca de 45 milhões de barris apenas em abril, refletindo a pressão sobre a oferta.

Analistas apontam que campos de petróleo mais pesados no Kuwait e no Iraque podem levar de quatro a cinco meses para retomar níveis normais de operação. Já os danos à infraestrutura de refino e ao complexo de gás natural liquefeito de Ras Laffan, no Catar, podem levar anos para serem totalmente reparados.

O cenário reforça que os impactos da guerra vão muito além das perdas imediatas de receita, afetando de forma prolongada a estabilidade energética global e ampliando riscos econômicos em diversas regiões do mundo.

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