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Redução de impostos sobre combustíveis não burla responsabilidade fiscal, afirma ministro

Governo propõe usar receita extra do petróleo para compensar queda de tributos sem impactar equilíbrio das contas públicas

Redução de impostos sobre combustíveis não burla responsabilidade fiscal, afirma ministro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

247 - O governo Lula (PT) afirma que a proposta de redução de tributos sobre combustíveis, baseada no uso de receitas extraordinárias provenientes da alta do petróleo, mantém o equilíbrio fiscal e não viola a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), segundo disse o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, à Folha de São Paulo.

Moretti rejeitou a interpretação de que o projeto representaria uma tentativa de contornar as regras fiscais. A proposta prevê a criação de uma exceção à LRF para permitir que a arrecadação extra gerada pelo aumento do preço do petróleo — influenciado por fatores internacionais, como a guerra no Irã — seja utilizada para compensar temporariamente a redução de tributos sobre combustíveis.

Uso de receita extraordinária

De acordo com o ministro, a lógica da proposta busca evitar a necessidade de elevar outros impostos em um cenário de aumento de arrecadação. Ele destacou que, pelas regras atuais, a redução de tributos exige compensação com elevação de outras receitas.

“Mesmo tendo receita extraordinária, precisaríamos criar um tributo novo ou aumentar a alíquota de algum tributo para fazer isso. Agora, aumentar imposto tendo receita é complicado”, afirmou Moretti.

O ministro reforçou ainda que, na avaliação do governo, não há sentido em elevar a carga tributária diante de um cenário de receitas adicionais. “Não faz nenhum sentido aumentar tributo se você tem a receita extraordinária”, disse.

Negociação com o Congresso

A proposta foi construída em diálogo com o Congresso Nacional. Antes do anúncio, Moretti e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reuniram com os presidentes das duas Casas, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar os termos do projeto.

Segundo o ministro do Planejamento, a estratégia foi garantir previamente apoio político à medida. “Não adianta botar isso no Congresso e não pactuar”, afirmou.

Ainda de acordo com ele, os parlamentares concordaram que o projeto preserva a neutralidade fiscal, sem aumento de impostos e sem impacto negativo nas contas públicas.

Exceção limitada à LRF

A Lei de Responsabilidade Fiscal estabelece que toda renúncia de receita deve ser compensada por aumento de arrecadação em outra fonte. O projeto do governo propõe uma exceção específica a essa regra, restrita exclusivamente à redução de tributos sobre combustíveis.

Moretti destacou que a medida não poderá ser utilizada para outros tipos de desoneração e que seu alcance é limitado. Ele também afirmou que a iniciativa transforma a alta de arrecadação em benefício direto ao consumidor. “E sem ser sócio da guerra, porque ela pega o aumento de arrecadação e transforma em redução de imposto do combustível”, declarou.

Expectativa de aprovação

O governo trabalha com a expectativa de aprovação rápida da proposta no Congresso. Segundo Moretti, há um apelo para que o texto avance já na próxima semana. “Nós estamos fazendo um apelo ao Congresso para que o projeto seja aprovado rapidamente. O sonho seria semana que vem”, disse o ministro.

A medida é vista como uma alternativa para aliviar o custo dos combustíveis sem comprometer o equilíbrio fiscal, em um contexto de volatilidade internacional nos preços do petróleo.

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