Renan aposta em depoimento de Vorcaro para expor falhas do sistema financeiro
Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos espera que fala de Vorcaro exponha “fraturas que favorecem fraudes como a do Master” no mercado financeiro
247 - O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, afirmou que espera que o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, marcado para terça-feira (24), ajude a esclarecer não apenas suspeitas envolvendo o Banco Master, mas também fragilidades estruturais do sistema financeiro nacional. Segundo Renan, a audiência deve permitir que o Senado investigue as “fraturas” que teriam possibilitado a atuação da instituição e ampliado o risco de fraudes, relata o jornal O Globo.
O depoimento na CAE ocorrerá um dia após Vorcaro ser ouvido pela CPMI do INSS, na segunda-feira (23), em uma sequência de oitivas que vem mobilizando o Congresso. Enquanto na comissão mista o banqueiro foi convocado para prestar esclarecimentos sobre contratos de empréstimos consignados vinculados ao Banco Master — suspensos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por falta de comprovação de que aposentados autorizaram as operações —, na CAE o foco será a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, tema que tem gerado forte repercussão no mercado financeiro e no meio político.
Renan defendeu que a CAE tem papel permanente de fiscalização do Sistema Financeiro Nacional e que pretende usar o depoimento para aprofundar o debate sobre supervisão, atuação de reguladores e eventuais brechas institucionais. “A CAE atua permanentemente no acompanhamento e fiscalização do Sistema Financeiro Nacional, inclusive nas suas fraturas que favorecem fraudes como a do Master. Nosso trabalho fortalece, sem nenhum conflito, qualquer CPI que queira tratar dessas fraudes, punir responsáveis e aprimorar a legislação”, afirmou o senador.
A expectativa do parlamentar é que Vorcaro responda aos questionamentos e se disponha a falar diante de um colegiado técnico. “Certamente ele quer falar num fórum especializado”, disse Renan, ao justificar que a CAE deverá ampliar o escopo da apuração para além do consignado, abordando a política de captação do banco, a formação de carteiras de crédito, a venda de ativos e a interlocução com órgãos reguladores.
A atenção em torno das oitivas é considerada alta porque elas devem marcar a primeira aparição pública de Vorcaro desde sua prisão, ocorrida em novembro do ano passado. Parlamentares envolvidos na CPMI avaliam que o depoimento poderá se transformar em um dos momentos mais relevantes das investigações, com perguntas que devem abranger diferentes dimensões do Caso Master, informa Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Integrantes da comissão mista afirmam que pretendem ampliar o alcance do interrogatório e levantar questionamentos sobre episódios que envolvem ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a relação do ex-banqueiro com integrantes do Judiciário. Segundo parlamentares, não haveria restrições para que deputados e senadores abordem qualquer tema ligado às investigações. Um deputado resumiu a disposição do colegiado: “Vou perguntar tudo.”
Apesar disso, a avaliação predominante entre congressistas é que Vorcaro dificilmente responderá às questões mais sensíveis, sobretudo aquelas com potencial de gerar repercussões políticas e institucionais. Entre os temas que podem ficar sem esclarecimento estão possíveis relações com ministros do STF e relatos envolvendo festas financiadas pelo ex-banqueiro.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que, se esses pontos não forem esclarecidos, a ausência de respostas tende a manter o caso sob forte suspeita e prolongar o desgaste político em torno do Banco Master.
Diante da dimensão do episódio, a CPI do INSS prepara um esquema especial de segurança e controle de acesso para a sessão de segunda-feira. A expectativa entre integrantes do colegiado é de uma audiência longa, que pode avançar pela madrugada, devido ao volume de questionamentos e ao interesse dos parlamentares no depoimento. O plano inclui reforço no entorno do plenário e entrada controlada para acompanhar os trabalhos.
Renan Calheiros, por sua vez, defendeu que a apuração não deve se limitar à responsabilização individual, mas produzir resultados legislativos concretos. “Nosso objetivo é fortalecer os mecanismos de controle e aperfeiçoar a legislação para evitar novas fraudes”, afirmou, sinalizando que a audiência na CAE pode servir de base para mudanças no arcabouço regulatório e na fiscalização do sistema financeiro.


