Conta no Texas amplia suspeitas sobre financiamento internacional da extrema direita, diz Paulo Pimenta
Deputado afirma que movimentações ligadas ao Banco Master podem revelar esquema de impulsionamento digital e pagamento de influenciadores bolsonaristas
247 – O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), líder do governo Lula na Câmara, afirmou nesta sexta-feira que as movimentações financeiras identificadas em uma conta no Texas podem revelar um esquema internacional de financiamento da extrema direita brasileira. Em entrevista à TV 247, Pimenta relacionou os recursos ao chamado caso “Bolsomaster” e defendeu cooperação internacional para rastrear o destino do dinheiro.
Segundo o parlamentar, as novas informações envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e uma conta administrada nos Estados Unidos representam um salto nas investigações sobre a estrutura financeira ligada ao bolsonarismo. A entrevista foi concedida à TV 247.
“A partir do momento que esse dinheiro chegou na conta do Texas, nós achamos que é provável que a gente consiga entender boa parte da operação de financiamento criminoso da família através dessa movimentação”, afirmou Pimenta.
O deputado citou especificamente a empresa Ravengate, ligada ao advogado Paulo Calisto, apontado durante a entrevista como advogado de Eduardo Bolsonaro. Para Pimenta, a quebra do sigilo da conta poderá esclarecer como recursos eram movimentados fora do Brasil.
“Vamos pedir a colaboração internacional para que seja quebrado também o sigilo dessa conta nos Estados Unidos e a gente possa identificar o destino desse dinheiro”, declarou.
Suspeita de impulsionamento ilegal e financiamento digital
Durante a entrevista, Pimenta afirmou que parte dos recursos pode ter sido utilizada para operações de comunicação digital e impulsionamento político da extrema direita brasileira a partir do exterior.
“Provavelmente é o dinheiro utilizado para pagar impulsionamento de conteúdos de fora do Brasil para o Brasil. É um dinheiro que é utilizado para pagar influenciadores, ativistas digitais da direita”, disse.
Segundo ele, há indícios de que operações digitais realizadas durante os ataques ao sistema eleitoral brasileiro tenham sido financiadas por mecanismos semelhantes. O deputado lembrou campanhas de desinformação contra as urnas eletrônicas e afirmou que parte do conteúdo teria sido impulsionada a partir de países asiáticos.
“Aquela operação toda que eles fizeram contra as urnas eletrônicas, dois terços das publicações foram impulsionadas de fora do Brasil para cá. Da Tailândia, do Vietnã, de Singapura”, afirmou.
Pimenta disse ainda acreditar que o rastreamento das contas poderá revelar conexões mais amplas entre operadores financeiros, empresas de comunicação digital e agentes políticos ligados ao bolsonarismo.
“Quando quebra o sigilo de uma conta, tu consegue enxergar as contas que têm conexão. A partir do momento que a gente sabe que essa conta foi utilizada, é possível desdobrar um conjunto de outras conexões”, declarou.
“Nenhum filme custa isso”, diz deputado
Na entrevista, Pimenta também colocou em dúvida a justificativa apresentada para transferências milionárias destinadas à produção audiovisual relacionada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Ninguém acredita que R$ 134 milhões seja para financiar um filme. Nenhum filme brasileiro ou uma produção americana dessas características custa tudo isso”, afirmou.
Segundo ele, os recursos podem ter duas origens principais: dinheiro ligado ao escândalo dos consignados do INSS e recursos relacionados às investigações sobre tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
“Parte do dinheiro é originária do escândalo que envolve o esquema dos consignados do INSS com o Banco Master e parte do dinheiro é o dinheiro do golpe”, disse.
Pressão por investigação cresce no Congresso
Pimenta afirmou que as revelações tornam inevitável a ampliação da pressão política e social por investigações envolvendo o Banco Master e aliados do bolsonarismo.
“Diante do que aconteceu, evidente que vai crescer muito a exigência pública e social por uma investigação”, declarou.
O deputado também disse acreditar que novas revelações ainda podem surgir a partir das investigações conduzidas pela Polícia Federal.
“Eu acho muito improvável que seja só essa conversa”, afirmou, ao comentar os áudios divulgados envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Segundo Pimenta, o caso atinge diretamente a narrativa construída pela extrema direita de que o escândalo do Banco Master teria ligação com o governo do presidente Lula.
“Após esse episódio de hoje fica totalmente sem sentido qualquer possibilidade de construção de uma narrativa de que eles não têm vínculo com o Vorcaro ou com o Bolsomaster”, afirmou.



