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Fracassos de Trump e Milei podem ajudar Lula a se reeleger em 2026

Historiador André Jacobina explica como o presidente pode se beneficiar da decadência global da extrema-direita

Lula entre Milei e Trump (Foto: Brasil 247)

247 – O avanço de crises políticas, econômicas e sociais nos governos de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e de Javier Milei, na Argentina, pode se transformar em um ativo eleitoral relevante para o presidente Lula nas eleições de 2026. A avaliação foi feita pelo historiador André Jacobina durante participação no programa Boa Noite 247, exibido na TV 247.

Ao analisar o cenário internacional, Jacobina destacou que o desempenho desses governos de extrema direita fornece ao eleitor brasileiro um exemplo concreto dos efeitos de políticas neoliberais radicais e autoritárias. Segundo ele, esse contraste pode favorecer Lula ao evidenciar diferenças entre projetos políticos.

Efeito demonstração e desgaste da extrema direita

Jacobina afirmou que Trump e Milei atuam como uma espécie de “cabo eleitoral indireto” para Lula, por meio do que chamou de efeito demonstração. “Tanto Milei quanto Trump podem funcionar como cabos eleitorais pelo efeito demonstração, ou seja, quando você demonstra para a população o que é que os governos deles produziram sobre sua população”, disse.

No caso argentino, ele citou o avanço da precarização social e trabalhista. “Nós estamos discutindo redução de jornada de trabalho e o Milei aprovou uma reforma que aumenta a jornada de trabalho diária para 12 horas por dia”, afirmou, apontando o contraste com o debate brasileiro sobre o fim da escala 6x1.

Para Jacobina, esse tipo de comparação pode ser explorado politicamente. “Vocês da extrema direita não apoiam o Milei? Não acham o governo do Milei maravilhoso? Querem trazer a experiência do Milei para cá?”, sugeriu, como forma de questionamento ao eleitorado.

Crise econômica e impopularidade de Trump

O historiador também destacou o momento delicado vivido por Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo ele, o presidente enfrenta níveis historicamente baixos de aprovação, especialmente na economia.

“O Trump conseguiu a pior aprovação na economia nesse momento do mandato da história dos Estados Unidos”, afirmou. Ele atribui esse cenário a medidas como o aumento de tarifas e tensões internacionais, que elevaram os preços e pressionaram o custo de vida.

Ainda de acordo com Jacobina, a deterioração das condições econômicas e sociais pode ter impacto político direto. “Ele disse que ia tornar as coisas mais baratas e aplicou um tarifaço que tornou as coisas mais caras”, disse.

Soberania nacional ganha centralidade

Outro ponto abordado no programa foi a retomada do debate sobre soberania nacional no Brasil. O tema voltou ao centro das discussões após episódios recentes envolvendo os Estados Unidos, como a expulsão de um delegado brasileiro e a disputa em torno de recursos estratégicos, como as terras raras.

Para Jacobina, a postura do governo Lula não deve ser interpretada apenas como cálculo eleitoral. “Eu não acredito que Lula está fazendo esse cálculo. Acho que ele está reagindo por princípios, porque acredita na soberania brasileira”, afirmou.

Ainda assim, ele reconhece que o posicionamento pode gerar dividendos políticos. “Pode beneficiar o Lula no contraste com um Bolsonaro que era um lambibotas dos Estados Unidos e o Lula que encara o Trump e não abaixa a cabeça”, disse.

Justiça tributária e agenda econômica

Durante a entrevista, Jacobina também defendeu que a campanha de Lula deve priorizar propostas de justiça tributária. Ele apontou a necessidade de aprofundar reformas que reduzam a carga sobre trabalhadores e ampliem a tributação sobre os mais ricos.

“É fundamental propor uma tributação dos super ricos, dos lucros das grandes corporações empresariais e isenções tributárias sobre o consumidor, sobre a classe trabalhadora e a classe média”, afirmou.

Segundo ele, esse tipo de agenda tem forte potencial eleitoral. “Se Lula conseguir comunicar que a isenção do imposto de renda de quem ganha até 5 mil foi só o começo, isso é muito poderoso”, avaliou.

Escala 6x1 e disputa política no Brasil

O debate sobre o fim da escala 6x1 também foi destacado como central na disputa política. Jacobina criticou a resistência de setores da direita à proposta e afirmou que o tema expõe claramente os interesses em jogo.

“Só é favorável à manutenção do 6x1 quem nunca trabalhou no 6x1”, disse. Ele também acusou a direita de tentar barrar o avanço da pauta enquanto mantém discurso ambíguo em público.

Além disso, apontou o papel da mídia tradicional no debate. “A mídia corporativa mostrou a sua posição com absoluta clareza”, afirmou, ao comentar críticas ao fim da jornada atual.

Comunicação e disputa de narrativa

Jacobina ressaltou ainda a importância da comunicação política para consolidar avanços sociais. Segundo ele, a esquerda precisa reforçar o vínculo histórico com conquistas trabalhistas.

“A esquerda precisa comunicar que direitos como férias e redução da jornada de trabalho foram conquistados pela luta da classe trabalhadora”, disse.

Ele também defendeu estratégias para ampliar o alcance junto a trabalhadores precarizados, como motoristas de aplicativos, propondo políticas públicas específicas.

Cenário eleitoral e desafios

Por fim, o historiador avaliou que, embora Trump e Milei contribuam indiretamente para o fortalecimento de Lula, a eleição será decidida principalmente pela capacidade do governo de apresentar propostas concretas.

“Para vencer de forma grande, você tem que ter projeto de transformação da sociedade e melhoria da vida das pessoas”, afirmou.

Segundo ele, pautas como redução da jornada de trabalho, justiça tributária e defesa da soberania podem ser determinantes no pleito de 2026, especialmente se combinadas com uma comunicação eficaz junto à população.

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