Genoíno aposta na ‘relação histórica de Lula com o povo’ e vê crise na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
Ex-presidente do PT defende ofensiva contra o neoliberalismo, critica o senador da extrema direita no caso Master e também comenta sobre o cenário global
247 - O ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoíno afirmou nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que a pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta um momento de desgaste e afirma que o presidente Lula é uma “pessoa conectada com a história” brasileira.
Em sua análise, Genoíno defendeu uma ofensiva política contra a agenda neoliberal e disse que Lula tem um “papel aguçado” na história brasileira. “Neoliberalismo é a negação dos direitos”, afirmou.
Ao falar sobre o papel do presidente, o ex-deputado petista associou a trajetória de Lula às lutas sociais do país. “Representa forças renovadas da sociedade, um povo que quer desinterditar o futuro. Ele é das entranhas deste povo. A história de Lula é a história do povo brasileiro, com vitórias, com derrotas”, disse.
Genoíno também afirmou que o campo progressista precisa disputar a agenda pública com foco nas demandas populares. “Temos que disputar a pauta do povo, soberania”, declarou.
Intenções de votos
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada esta semana, mostrou Lula com 47% das intenções de voto no principal cenário de primeiro turno. Flávio Bolsonaro ficou em segundo lugar, com 34,3%, após queda de 5,4 pontos percentuais na comparação com o levantamento anterior, divulgado em abril.
Na nova rodada da pesquisa, o empresário Renan Santos (Missão) conseguiu 6,9%, e os ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 5,2%, e de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 2,7%.
Caso Banco Master pressiona Flávio Bolsonaro

Na avaliação de Genoíno, os novos escândalos envolvendo o Banco Master podem provocar uma “crise na (pré) candidatura de Flávio Bolsonaro”. O ex-presidente do PT citou a “relação promíscua” do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.
O caso envolve negociações de R$ 134 milhões feitas por Flávio Bolsonaro com Vorcaro para investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal investiga o Banco Master e seu dono por suspeita de participação em um esquema de fraudes financeiras que, segundo a corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões.
Genoíno não descartou que o episódio gere efeitos políticos sobre o projeto eleitoral do PL. Para ele, a associação entre o senador e Daniel Vorcaro amplia o desgaste da pré-candidatura em um momento de disputa pela liderança da direita.
Críticas ao golpismo e defesa das instituições
Na entrevista, Genoíno também criticou a trama golpista iniciada durante o governo Jair Bolsonaro e os atos de 8 de Janeiro de 2023, quando bolsonaristas invadiram a Praça dos Três Poderes. O episódio resultou em mais de 1,4 mil condenações determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
“A tentativa de golpe atrasou muitas coisas que o governo Lula pensava em executar”, afirmou Genoíno. Na avaliação do ex-presidente do PT, as investidas bolsonaristas por uma ruptura institucional obrigaram o governo a concentrar energia na preservação democrática. Segundo ele, “a tarefa principal” do governo Lula “era defender as instituições”.
Genoíno também relacionou o atual cenário político ao golpe contra Dilma Rousseff, em 2016. Para o petista, o país entrou em um “retrocesso monstruoso” após aquele processo. O ex-dirigente afirmou que os dois primeiros governos Lula e a gestão de Dilma Rousseff impulsionavam uma agenda voltada à reconstrução do Estado e à inserção soberana do Brasil no mundo.
Segundo Genoíno, aquele ciclo avançava na construção de “programas sociais, recuperando o papel do Estado, exploração do petróleo na forma de partilha, relação com o Sul Global, elementos de uma política de defesa nacional, colocando na agenda a defesa da Amazônia e integração sul-americana”.
Xi Jinping, Donald Trump e o Sul Global
Genoíno também comentou a recente visita do atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China. O ex-presidente do PT afirmou que o presidente chinês, Xi Jinping, “deu uma lição de estadista” ao chefe da Casa Branca.
Segundo Genoíno, Xi conduziu o encontro em favor de uma agenda voltada a “discutir paz, multilateralismo, Sul Global, e parcerias”. A avaliação reforça a leitura do petista sobre a importância de uma política externa baseada em soberania, cooperação internacional e fortalecimento dos países em desenvolvimento.
Na entrevista, Genoíno articulou temas internos e externos em torno de uma mesma leitura política: a necessidade de enfrentar o neoliberalismo, preservar as instituições democráticas, disputar a pauta popular e fortalecer uma visão de país vinculada à soberania nacional.



