HOME > Entrevistas

Jorge Folena: “Trump é ditador e pode provocar a Terceira Guerra Mundial”

Jurista alerta para escalada fascista global e relaciona o cenário ao debate sobre soberania e democracia no Brasil

Jorge Folena: “Trump é ditador e pode provocar a Terceira Guerra Mundial” (Foto: Divulgação | Reuters )

247 – O jurista Jorge Folena classificou Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, como um “ditador” e alertou que seu comportamento autoritário pode levar o mundo a uma escalada bélica de proporções devastadoras, incluindo o risco de uma Terceira Guerra Mundial. A avaliação foi apresentada durante entrevista ao programa Giro das 11, conduzido por Gustavo Conde, na TV 247, em um debate que conectou geopolítica, crise institucional norte-americana e ameaças à soberania de países da América Latina.

Folena afirmou que não pretende mais se referir a Trump como presidente, sustentando que “o comportamento dele é de um ditador” e que ele estaria promovendo “violações sistemáticas ao sistema institucional norte-americano”. Para o jurista, as instituições dos Estados Unidos não estariam funcionando como deveriam, o que abriria espaço para ações arbitrárias, tanto no plano interno quanto no internacional.

“Um perigo para a humanidade”

Ao longo da entrevista, Folena insistiu que o mundo enfrenta um cenário de insegurança crescente, provocado por decisões e ameaças atribuídas ao mandatário norte-americano. “Nós estamos diante de um ditador, um homem que inclusive falou ontem que iria administrar petróleo da Venezuela, que o dinheiro ia ficar com ele”, disse. Na leitura do jurista, esse tipo de postura revela a ideia de que o presidente se coloca acima do Estado, como se pudesse administrar riquezas de outros países em nome próprio.

Folena reforçou a gravidade do quadro ao dizer que Trump “não cumpre normas internas no seu país e não cumpre normas previstas no direito internacional”, e acrescentou: “Esse homem é um perigo para a humanidade”. Em outro trecho, destacou que o presidente estaria perseguindo não apenas imigrantes, mas também cidadãos norte-americanos que pensam diferente dele.

Comparação com o fascismo do século XX

Em uma das passagens mais contundentes, Folena traçou paralelos diretos entre Trump e líderes fascistas do século XX. “Não há nenhuma distinção entre o comportamento de Donald Trump e de Benito Mussolini e de Adolf Hitler”, afirmou. Segundo ele, o estilo, os gestos e a retórica do presidente dos EUA lembrariam o padrão de líderes autoritários que chegaram ao poder pela via eleitoral e depois romperam as regras democráticas.

O jurista afirmou que a humanidade estaria revivendo um momento histórico semelhante ao do início do século passado, quando regimes fascistas avançaram diante da omissão ou covardia de setores das elites políticas. Ele citou, por exemplo, reações de lideranças europeias e criticou o que chamou de submissão de parte do Ocidente ao poder dos Estados Unidos.

“Quem vai detê-lo serão os próprios americanos”

Questionado sobre quem teria capacidade de conter a escalada trumpista, Folena rejeitou a ideia de que forças externas teriam condições reais de impedir o presidente dos EUA. Ele defendeu que a contenção virá do próprio sistema interno norte-americano. “Quem vai deter o Donald Trump não vão ser as forças externas. Quem vai deter Donald Trump será o próprio sistema interno dos Estados Unidos”, afirmou.

Para ele, a erosão institucional chegou a um ponto tão profundo que somente uma reação do povo e das estruturas internas dos Estados Unidos poderá limitar o avanço autoritário. Ele apontou sinais de desgaste dentro do próprio campo político do presidente, indicando que parte da base poderia começar a reagir diante do agravamento das tensões.

Folena afirmou ainda que o comportamento de Trump pode levar a uma fratura social interna grave. “Ele poderá acabar causando uma guerra civil” e “tem todas as características para provocar uma guerra mundial”, disse, acrescentando que, em sua visão, conflitos globais já estariam em curso e seriam agravados pela atuação do atual presidente norte-americano.

“Fim do estado de direito” e insegurança global

Outro eixo central da entrevista foi a afirmação de que Trump estaria decretando, na prática, o fim do estado de direito, tanto no plano interno quanto no internacional. Folena argumentou que o presidente norte-americano impõe a lógica do “poder do mais forte”, substituindo o sistema de regras por uma dinâmica de coerção.

“O que é o estado de direito? É a união de todos para se contrapor àquele valentão”, explicou. Na avaliação do jurista, quando essa estrutura é destruída, abre-se espaço para agressões a soberanias, intervenções militares e expropriações forçadas.

Folena chegou a sugerir que, se Trump decidisse agir contra outros territórios, seria capaz de fazê-lo sem grandes limites. “Se ele falar que vai expropriar a Amazônia brasileira, ele vai fazer”, afirmou, em uma hipótese apresentada como exemplo do grau de risco que enxerga no cenário atual.

Normalização pela imprensa e ataque seletivo a líderes estrangeiros

Durante a conversa, também foi levantada a crítica de que a imprensa internacional e brasileira tende a normalizar o comportamento de Trump, ao mesmo tempo em que emprega rótulos como “ditador” de forma seletiva quando se trata de líderes latino-americanos. A entrevista destacou esse contraste como parte do ambiente que favorece o avanço autoritário, criando uma cobertura desigual e complacente com ações consideradas violentas ou ilegais.

Folena reagiu a esse ponto afirmando que, se as instituições norte-americanas estivessem operando regularmente, Trump já deveria ter sofrido impeachment. 

Artigos Relacionados