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‘O bolsonarismo não é vítima, é parte de um projeto destrutor’, avalia Cunca Bocayuva

Em entrevista à TV 247, o professor da UFRJ sinalizou que a estratégia de perseguição busca encobrir ligação de bolsonaristas com o Banco Master

Cunca Bocayuva, Flávio, Jair e Eduardo Bolsonaro (Foto: Reprodução (TV247) I Divulgação)
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247 - Professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e integrante do Laboratório do Direito Humano à Cidade e Território (LDCT), Cunca Bocayuva criticou o vitimismo do bolsonarismo e afirmou, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que setores ligados a Jair Bolsonaro tentam se apresentar como alvos de perseguição para responder às críticas sobre relações com o Banco Master, de Daniel Vorcaro. 

O docente comentou os desdobramentos políticos da crise que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o filme Dark Horse e o financiamento atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro. Cunca Bocayuva fez uma avaliação dura sobre o campo bolsonarista e associou sua atuação política a um processo de desorganização institucional. Ele afirmou que há no Brasil uma “direita mórbida, sem projeto”.

“A força da lei que eles tentam impor não gera ordem e sim desordem. Eles dão um tiro no pé em relação a vitimização. Não são vítimas, são destrutores. A proporção da promiscuidade que afetou a economia brasileira”, disse.

O analista afirmou que Flávio Bolsonaro “reitera o servilismo” ao dinheiro ao se envolver nas negociações ligadas ao filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. O projeto teria recebido tratativas de financiamento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no valor de R$ 134 milhões.

Vorcaro negocia delação premiada após aparecer em investigações sobre fraudes financeiras que, segundo a Polícia Federal, movimentaram ao menos R$ 12 bilhões. O caso ampliou a pressão sobre o entorno de Bolsonaro e atingiu também Eduardo Bolsonaro, apontado como participante direto da produção-executiva do filme sobre o pai. 

O financiamento do filme Dark Horse foi estruturado em cotas de investimento VIP, com benefícios pouco usuais no setor cinematográfico. Quem aportasse US$ 1 milhão passaria a integrar o conselho de produção, ganhando espaço para opinar e interferir nos rumos criativos e estratégicos da obra

Crítica mira método político do bolsonarismo

Cunca Bocayuva também criticou a forma como o bolsonarismo mantém vínculos com sua base eleitoral. O professor associou esse método a práticas do centrão, a interesses de oligarquias e à colocação de recursos no exterior.

Ele repudiou o “modo como o bolsonarismo governa a relação com base eleitoral somado aspectos mais perversos do centrão, aspectos de oligarquias que colocam dinheiro no exterior, e dizendo: ‘a minha capacidade é a capacidade de matar. Não tem saída se eu não eliminar o competidor’”.

A declaração reforça a leitura de que o bolsonarismo opera por meio de tensão permanente, disputa agressiva e tentativa de eliminar adversários políticos. Para o professor, essa lógica não oferece um projeto de país e aprofunda a crise democrática.

Campo progressista deve ouvir as ruas

Ao tratar dos desafios da esquerda e dos setores democráticos, Cunca Bocayuva afirmou que o campo progressista precisa ampliar sua escuta social e responder a demandas concretas da população.

O professor relatou que o campo progressista precisa “escutar as ruas, ver questões urgentes de proteção, cuidado, saneamento básico, transformação cultural intelectual”.

A avaliação coloca no centro do debate a necessidade de combinar enfrentamento político ao bolsonarismo com ações voltadas a direitos sociais, infraestrutura básica, proteção da população e transformação cultural. Para Bocayuva, a disputa contra a extrema direita passa também pela capacidade de compreender as demandas reais da sociedade brasileira.

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