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"Será uma grande decepção se Lula apertar a mão do assassino Trump", diz Paulo Nogueira Batista Júnior

Economista afirma que o Irã é vítima de Estados Unidos e Israel e cobra postura mais firme do Brasil

"Será uma grande decepção se Lula apertar a mão do assassino Trump", diz Paulo Nogueira Batista Júnior (Foto: Divulgação | ABR)

247 – A escalada militar no Oriente Médio, após o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã, provocou forte reação do economista Paulo Nogueira Batista Júnior, que classificou Teerã como vítima da agressão e defendeu que o Brasil adote uma posição mais clara diante do conflito. As declarações foram dadas em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, editor da TV 247.

Na conversa, Paulo foi enfático: “O Irã é a vítima aqui. Os agressores são Israel e Estados Unidos.” Segundo ele, o ataque ocorreu enquanto havia negociações em curso, o que reforçaria o caráter unilateral da ofensiva.

Críticas a Trump e alerta ao presidente Lula

Ao comentar a possibilidade de um encontro entre o presidente Lula e Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, o economista fez duras críticas. “Se o presidente brasileiro for, vai ser uma vergonha para o Brasil. Uma vergonha.”

Em outro momento, acrescentou: “Será constrangedor para os brasileiros ver o nosso presidente confraternizando com esse delinquente que é Donald Trump.”

Ele também classificou o governo norte-americano como responsável por uma escalada perigosa. “Nós estamos vivendo um momento muito perigoso por conta do fato de existir um presidente irresponsável e leviano nos Estados Unidos”, declarou, associando o risco de ampliação do conflito às decisões de Washington e de Israel.

Resistência iraniana e disputa por hegemonia

Paulo Nogueira Batista Júnior afirmou que o Irã não deve ser subestimado e que o país vinha se preparando para esse cenário há anos. “O Irã não está para brincadeira, está batendo duro de volta.”

Segundo ele, a reação iraniana, inclusive com ataques a bases americanas e alvos israelenses, pode impor custos políticos e militares relevantes aos Estados Unidos. Ele lembrou que Washington já enfrentou derrotas históricas: “Os Estados Unidos não são invencíveis, não. Foram derrotados no Vietnã, foram derrotados no Afeganistão.”

Na avaliação do economista, o conflito deve ser compreendido no contexto da disputa entre hegemonia e multipolaridade. Ele sustentou que os Estados Unidos não se conformam com a perda de centralidade global e estariam dispostos a recorrer à força para conter adversários estratégicos e preservar sua influência internacional.

Impactos econômicos e efeitos sobre o Brasil

Ao analisar as consequências econômicas da crise, Paulo destacou o fechamento do Estreito de Ormuz e seus reflexos no mercado internacional de energia. Segundo ele, a interrupção do fluxo de petróleo tende a provocar um choque de oferta e pressionar os preços globais.

Para o Brasil, o impacto seria ambíguo. De um lado, como exportador líquido de petróleo, o país poderia se beneficiar da melhora nos termos de troca. De outro, haveria pressão inflacionária interna, com reflexos sobre combustíveis e custos produtivos.

Ele também criticou a política monetária brasileira, afirmando que a taxa de juros praticada pelo Banco Central é excessiva e prejudica a economia. Em sua avaliação, juros elevados podem comprometer o crescimento e afetar o ambiente político interno.

Cobrança por posicionamento mais claro

Ao tratar da postura do governo brasileiro, Paulo defendeu que o país não permaneça neutro diante do conflito. “O Brasil é contra essa guerra. Brasil é um país que não aceita agressões militares”, afirmou, ao argumentar que o governo deve esclarecer sua posição à opinião pública.

Para ele, a omissão pode enfraquecer a imagem internacional do país. “O governo Lula tem que ter uma postura digna”, declarou, ressaltando que o Brasil não pode se descaracterizar em nome de cálculos políticos.

A entrevista ocorre em meio a um cenário internacional de alta tensão, com impactos geopolíticos e econômicos ainda incertos, e coloca no centro do debate o papel do Brasil na disputa entre hegemonia e multipolaridade.

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