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Conheça a Fundação Hind Rajab (HRF), que rastreia acusados de genocídio na Faixa de Gaza

Entidade denunciou à Justiça brasileira soldado israelense de férias na Bahia. HRF utiliza tecnologia e rede global para pressionar por justiça

Palestinos no local de um ataque israelense a um apartamento na Faixa de Gaza. Foto: Khamis Said / Reuters

247 - A Fundação Hind Rajab, com sede na Bélgica, tem ganhado espaço no cenário internacional ao conduzir uma missão ambiciosa: identificar militares israelenses acusados de genocídio na Faixa de Gaza e pressionar para que sejam responsabilizados judicialmente. Criada por juristas e advogados em 2024, a fundação já apresentou denúncias em diversos países, incluindo o Brasil, destacando seu papel como um ator emergente na luta por justiça global, destaca o Uol.

Recentemente, a fundação voltou aos holofotes ao acionar a Justiça brasileira contra Yuval Vagdani, um soldado israelense que, segundo a entidade, estava de férias na Bahia. De acordo com os dados apresentados, Vagdani teria participado de ataques a corredores humanitários entre 10 e 12 de novembro na Faixa de Gaza. As informações foram obtidas a partir do cruzamento de geolocalização em redes sociais, vídeos e notícias sobre os ataques. Apesar do pedido de prisão preventiva, o soldado deixou o país no último domingo (5), antes que qualquer ação fosse tomada.

A atuação da Fundação Hind Rajab combina métodos sofisticados de investigação digital e um esforço colaborativo entre advogados e ativistas. O trabalho começa com o monitoramento de publicações nas redes sociais e se estende à análise de registros jornalísticos e imagens da destruição em Gaza. “Nosso objetivo é transformar essas evidências em ações concretas, responsabilizando quem cometeu esses crimes”, afirma um porta-voz da organização em um de seus comunicados.

Em outro caso recente, a fundação apresentou denúncias na Argentina e no Chile contra Saar Hirshoren, suposto comandante do 749º Batalhão de Engenharia de Combate de Israel. Apesar da coleta de evidências e das petições apresentadas, as autoridades locais ainda não tomaram medidas.

O trabalho da Fundação Hind Rajab também destaca as brechas no sistema jurídico internacional. Ao acionar tribunais locais de países signatários do Estatuto de Roma, que regula o Tribunal Penal Internacional (TPI), a organização busca contornar as limitações de uma corte frequentemente criticada por sua ineficácia.

No Brasil, a resposta inicial da Justiça, que solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito, foi considerada pela fundação como “um marco histórico”. “É a primeira vez que um Estado signatário aplica diretamente o Estatuto de Roma sem depender do TPI”, declarou a entidade em nota.

No entanto, ainda de acordo com a reportagem, o desafio é enorme. Muitos países hesitam em agir, especialmente em casos envolvendo figuras ligadas a Israel, um dos maiores aliados ocidentais. Em declarações públicas, a fundação reconhece essas barreiras, mas acredita que manter a pressão é essencial para abrir caminhos para a justiça.

Embora mantenha muitas de suas ações em sigilo para evitar que acusados fujam, a fundação informa que possui processos em andamento em vários países. "Só divulgamos casos quando a comunicação pública se torna essencial para pressionar as autoridades", afirma um comunicado recente.

O nome da fundação é inspirado em Hind Rajab, uma menina de seis anos morta em 2022 durante um ataque israelense na Faixa de Gaza. A tragédia ocorreu quando ela e sua família tentavam escapar de um bombardeio. Após sobreviver ao primeiro ataque, Hind ligou para um serviço de emergência, mas o veículo enviado para socorrê-la foi atingido por um míssil. O caso, amplamente divulgado, tornou-se um símbolo da violência enfrentada por civis em Gaza.

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